O dilema Ypê

terça-feira, 12 de maio de 2026 às 11:53
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Foto: Arquivo pessoal

*Por Angelo Cavalcante

A pseudomonas aeruginosa é bactéria de tipo sutil, discreta, oportunista, muito sofisticada e que pode causar infecções graves e gravíssimas, sobretudo a partir de ambientes hospitalares.

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Vejam só…

Esse “micro-demônio” surge, desponta e aparece com uma única e específica função: destruir e matar!

É capaz de arrasar com os pulmões de um adulto; em crianças, com impressionante e assustadora facilidade, leva o infanto à morte.

Mais… Em todo o nosso sistema urinário, o que envolve músculos, vasos, canais e uma bexiga que nos serve como reservatório, a mera presença dessa bactéria traz imenso infortúnio de dor e de mal-estar.

A pseudomonas aeruginosa produz, reparem bem, ferimentos internos graves, aftas profundas, feridas cutâneas, otites e sepse, além de pneumonias graves.

Então…

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) no estrito cumprimento de suas funções institucionais detecta a presença dessa besta bacteriana em lotes do muito conhecido detergente Ypê, esse item e que nove entre dez donas e donos de casa, adquirem para o asseio de pratos, copos e talheres.

Dessa forma e acertadamente, a ANVISA determina a imediata retirada desses produtos do mercado justamente para impedir o pior… O bem pior!

O Brasil que pensa, agradece e respira aliviado… Por outro lado… O Brasil do ódio, da mentira e da anti-ciência reage…

E o faz da pior forma, produzindo mentiras e descalabros que oscilam do cômico, do pastiche e do inusitado ao grotesco, genocídico e brutal.

Dessa pantomima atroz participam tipos como o indigente, o miserável intelectual Cleitinho, senador bolsonarista por Minas Gerais e o vice-prefeito de São Paulo, o nazifascista Ricardo Araújo (PL) onde, cada um e a seu modo, se lança a negar, espezinhar e destratar o trabalho sério e científico da ANVISA, por sinal e lembrança, das maiores e mais atuantes agências sanitárias e de saúde pública do mundo.

É assustador!

Negar a ciência é crime porque expõe pessoas ao risco, rompe com cuidados e descredibiliza agentes públicos sérios e sinceros no seu ofício supremo de defender a vida.

Para piorar aparece uma “coisa humana” mamando em um frasco de detergente da referida marca onde o tipo, sedento e voraz, supostamente se saciava pleno e embevecido com o citado produto.

Não tenho dúvidas… Essa é das mais grotescas e bizarras cenas e que essa escumalha política produziu nesse ano!

Sigo em transe!

Olha…

…Em 1987 aconteceu um grave e criminoso acidente radioativo em Goiânia, catadores e acumuladores de materiais dispensados e descartados desafortunadamente encontram em um ferro velho, um receptáculo contendo césio-137. Essas pessoas inadvertidamente abrem – Meu Deus! – essa cápsula e produzem, depois da explosão da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, o pior acidente radiológico do mundo.

Eu vi e vivo isso!

Eu era um garoto tímido e abestalhado de 14 anos e que estudava no Colégio Claretiano Coração de Maria, no preciso cruzamento entre as avenidas Araguaia e Paranaíba, no centro de Goiânia.

Não estou tergiversando… Quero chegar no preciso ponto de que se o trágico evento do césio-137 apetecido em 1987, tivesse acontecido nesses dias que correm, com toda certeza, bolsonaristas e fascistas correlatos gritariam aos quatro ventos de que isso seria “armação do PT”, uma tática de “mobilização da esquerda”, um exagero injustificado e advindo de cientistas e intelectuais comunistas e coisa e tal…

Ao fim… Não dá mais! Para essa gente resta o desprezo e o combate mais duro, intenso e fervoroso.

É do que se trata!

Angelo Cavalcante é Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

O texto acima expressa a visão de quem o assina, não necessariamente do Portal Voz do Bico. Se você quer publicar algo sobre o mesmo tema, mas com um diferente ponto de vista, envie sua sugestão de texto para [email protected]

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