
*Por Angelo Cavalcante
São Sebastião é aqui!
Está na esquina; na periferia distante e remota; está na beira da estrada, morando, habitando vil e precariamente debaixo de torres de alta tensão ou nos riscos de encostas ou barrancos.
Em verdade… Está em todo o lugar!
São Sebastião desafia cidades, seus governos e prioridades. Põe em causa a organização das “urbes”, questiona moradias populares e indaga acerca dos condomínios de alto padrão.
Faz mais… Esse ente lança luzes sobre o problema dos transportes públicos, sobre os disparatados padrões de consumo das classes e que determinam, reparem bem, a própria cidade; nos inquieta com a insolúvel questão de lixos e resíduos.
São Sebastião, prestemos atenção, não é um “topos”, não é referência geográfica, não é evento contingencial, tampouco é “má sorte”.
Não… Nunca é castigo divino, punição de Deus ou ira do Senhor às festas profanas do carnaval.
São Sebastião acontece, sobretudo, nos períodos de chuva, mas não só… Explode em dutos que vazam gases ou querosene; se faz em incêndios criminosos de bairros pobres, em áreas de proteção ambiental ou nos densos da floresta amazônica.
São Sebastião se faz materialidade em cinquenta mil mortos ao ano nas absurdas e criminosas estradas do país; desses índices mortuários e que vemos apenas nas mais carnicentas guerras.
São Sebastião é um titã silencioso, discreto, cheio de energia e espraiado por todo o país. Reina e impera de norte a sul, de leste a oeste.
É alimentado por desigualdades regionais, por assimetrias entre municípios centrais, potentes e promissores de um lado e; por outro, ampla infinidade deles, bastante distantes, isolados e pauperrimos.
O consolo é que São Sebastião pode ser identificado; pode, por prudência e inteligência pública e administrativa ser reduzido e mitigado.
É claro que estradas precisam de reformas e manutenção; pessoas não podem morar em morros, aterros ou em beiras de quedas; redes de esgoto tipo aquelas de Nova York e que aparecem nos filmes reduzem a potência fatal e sumária de Sebastião.
Árvores precisam ter suas copas aparadas e podadas; o solo está em movimento, logo, precisa ser melhor observado; águas se rebelam e a natureza tem suas leis e que, de uma forma ou de outra, serão cumpridas.
São Sebastião esta presente, é forte e nos vê!
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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