Precisamos de “doutores” ou de profissionais técnicos?

sexta-feira, 1 de setembro de 2023 às 08:55
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Três turmas estão com inscrições abertas sendo duas gratuitas e uma com valor de R$ 35,60. Foto: Reprodução.

SENAI – Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial, SENAC – Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial, EPTNM – Educação Profissional Técnica de Nível Médio e outros mecanismos da área de ensino técnico vêm provar que o país precisa formar profissionais técnicos para o mercado de trabalho antes de as autoridades se preocuparem com o ensino superior.

Por exemplo, “No Senai, 76% dos estudantes estão empregados em até um ano após concluírem o ensino técnico. Isso mostra que os empresários estão buscando formação técnica. Muitos deles, inclusive, estão pagando mais a estes profissionais do que àqueles que saem do ensino superior”, afirma Felipe Morgado, superintendente do Senai. 90% dos empresários defendem o ensino técnico como gerador de empregos, diz CNI – Confederação Nacional de Indústrias.

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Quanto custa a exigência de formação superior aos cofres públicos ou ao bolso do cidadão? O Brasil não precisa de mais universidades, mas sim de cursos técnicos de alta qualidade para atender ao mercado de trabalho nacional, que não demanda curso superior e sim especialistas técnicos. A educação superior é importante para o desenvolvimento do país, mas temos de ter presentes as necessidades reais de n

osso mercado de trabalho.

Podemos vislumbrar uma profissão por meio de um curso técnico de alta qualidade, no Senai, Senac, etc., sem a necessidade de curso superior. Mesmo porque nem todas as pessoas desejam fazer faculdade.

Quantos são iludidos com a propaganda governamental de Universidade para Todos, como se a universidade fosse o único meio de se chegar ao mercado de trabalho. As camadas pobres, principalmente, antes de pensar em universidade, deveriam ser incentivadas a fazer curso técnico para logo conseguirem emprego e poderem se sustentar.

A graduação universitária não é sinônimo de garantia de emprego. Vejam, pesquisa do Núcleo Brasileiro de Estágios (Nube) mostra que apenas 14,78% dos recém-formados que pegaram o diploma em 2019 e 2020 conseguiram vagas nas suas áreas de formação após três meses da formatura. Atrás dos balcões de empresas comerciais varejistas encontra-se muita gente de nível universitário trabalhando por falta de oportunidade nas áreas de formação.

Os cursos superiores são importantes, mas deveriam ser disponibilizados para determinadas áreas – exemplo área médica -, observadas as necessidades nacionais. Por que bacharelado em Turismo e Hotelaria, quando um curso técnico especializado supriria a necessidade? Muitos desses cursos superiores, sem qualidade, fazem a festa de arrecadação dos donos de universidades e faculdades particulares.

É verdade que a educação é a mola propulsora do desenvolvimento de qualquer nação. Mas a realidade brasileira não recomenda a contínua profusão de cursos superiores pelo país, mas sim de escolas técnicas de alta qualidade.

Júlio César Cardoso é Servidor federal aposentado

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