Que ano!

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023 às 12:06
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Foto: Reprodução.

*Por Angelo Cavalcante

Nem tudo são flores e, da mesma forma, nem tudo são espinhos; como se diz, “nem tanto a terra e nem tanto ao mar”.

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O findante 2023, nem de longe, foi um ano fácil; sob o viés político, vamos recordar, em que pese a glória e o júbilo da eleição de Lula ante ao fascismo golpista e odiento de Bolsonaro, o novo governo encontrou, de fato, uma nação devastada com toda sorte de carência, abandono e desamparo.

Para muito ligeiro informe e memória, Lula, já no dia UM do seu novo governo, se vê ante a um oceano de 32 milhões de famintos; com todas as universidades, bem como a rede de IF’s, em escancarada situação de sucateamento e; mais de trinta mil obras destacadamente importantes em completo abandono.

Sim…

…Obras imprescindíveis como pontes, prédios públicos, hospitais, estruturas de contenção ou moradias populares para um país cujo déficit habitacional supera a danosa cifra de cinco milhões de unidades residenciais.

Nesse cipoal de dramas e contradições sociais e políticas, é preciso recordar do infame e vergonhoso “08 de janeiro” quando uma abjeta horda de “hunos tropicais” incendeia Brasília a fim de um golpe de Estado.

Como esquecer isso?

Ano muito difícil… Aliás, diria que fora dos mais difíceis de toda a história de nossa frágil e acidentada democracia.

Nesse ambiente extremo foi preciso saber decidir. Decidir pelo correto, pelo justo e por óbvio, em favor do Brasil. Coube a Lula realizar as opções corretas para evitar violência, abusos, derramamento de sangue e mais, bem mais riscos e instabilidades.

E acertou!

Lula retomou todos os programas sociais e que, não por menos, os governos petistas criaram: o Bolsa-Familia, o Benefício de Prestação Continuada; diante da alta inadimplência e que os anos do ultraliberalismo de Temer/Bolsonaro impôs ao país, o Governo criou o Desenrola para garantir negociações fluidas e facilitadas aos devedores.

E veio o PAC e as maiores inversões em obras da história brasileira; o “agro” nacional percebeu, não por menos, a maior quantidade de investimentos via “Plano Safra” de toda a trajetória do setor.

Lula, internacionalista como é, tratou de retomar as relações internacionais brasileiras com encontros, acordos e cimeiras. E reativou negócios e parcerias centrais com a China, a Rússia e os Estados Unidos.

Apenas nos seis primeiros meses do seu governo, o Brasil havia conferido e estabelecido negócios que ultrapassaram trezentos bilhões de dólares.

Não foi sorte… Foi capacidade de diálogo, de negociação e, evidentemente, com muita seriedade!

O resultado positivo foi flagrante!

Mesmo o conservador FMI previu impressionante crescimento de mais de três por cento para o país, tornando a economia brasileira, no miúdo lapso e interregno de um ano, maior do que a do Canadá, Itália ou Reino Unido.

Nesse conjunto de boas iniciativas, o desemprego caiu para níveis oscilantes entre seis e sete por cento; estávamos estacionados, enfiados na alta grimpa de 14%.

Nossas estratosféricas taxas de juros – ainda bastante altas – seguiram caindo e do altiplano de 16% declinou para 11,75% (BACEN/COPOM. 13/12/23).

Não há Estado ou município brasileiro que não tenha recebido algum tipo de benefício, apoio ou investimento do atual governo e o clima político e administrativo é notoriamente superior e absolutamente distinto.

O degradado ambiente de pistolagem e bandidagem advindo dos arroubos e golpismos do governo anterior, sempre sedento por golpes e barbáries, vai sendo gradativamente substituído por um cenário de retomada de respeito, institucionalidade e democracia.

É certo de que ainda há muito a se fazer…

Por exemplo…

… Ora… Por bom exemplo, o SUS carece de ampliação e de mais investimentos; a infraestrutura do país segue constrangida e incapaz de efetivamente, atender as altas demandas internas.

Como em nenhum outro instante, carecemos de reforma urbana, de gestão e ordenamento adequado dos territórios urbanos e; o drama climático que tomou conta do país impõe que, por exemplo, áreas e territórios indígenas sejam integralmente respeitados.

O insuperável debate da reforma agrária ressurge com força e intensidade considerando, sobretudo, que se faz necessário repensar a produção alimentar e agrícola, suas tecnologias e formas de realização.

As relações Sul-Sul seguem táticas e estratégicas para o Brasil. É necessário aprimorar e intensificar diálogos, interações e formas de aproximação com toda a América Latina e África.

Evidentemente, por nossos inquebrantáveis laços culturais, históricos e geopolíticos, mas também pela potência dos ativos ambientais e naturais dessas regiões. Para panorâmica lembrança, a África possui as maiores jazidas de ouro, diamante e petróleo do mundo.

Sem contar no seu mercado consumidor de um bilhão e meio de pessoas; o mesmo para a população de quatrocentos milhões de habitantes e que perfazem nuestra América Latina.

Conseguem imaginar que possuímos aí algo como dois bilhões de pessoas sedentas por todas as formas de consumo?

O Brasil está diante de uma jornada épica e histórica cujo êxito depende o próprio futuro de nossa nação e de nosso povo.

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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