Relato de um profissional na linha de frente contra a covid-19 no Hospital Regional de Augustinópolis

sexta-feira, 29 de janeiro de 2021 às 17:04
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André da Gama. Foto: Arquivo pessoal.

Desde o início da pandemia, ou seja, em março de 2020, não só o Bico do Papagaio mas o mundo inteiro passou a viver tempos difíceis em que as pessoas tiveram que conviver com o medo e as incertezas acerca de um vírus que tem ceifado milhões de vidas.

Logo no início tínhamos uma preocupação a mais: a falta de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em nossa região, que sempre foi extremamente carente da atenção do poder público.

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Estar na linha de frente não foi nada fácil. Lidar com o sofrimento e a sensibilidade das pessoas diante de toda essa tragédia humanitária, vendo muitos perderem suas vidas, familiares sem poderem velar ou até mesmo ver seus entes queridos após a morte, geram a todos nós, profissionais da área da saúde, uma sensação de impotência por muitas vezes não termos condições de salvar aquele paciente que se foi.

Por outro lado, vibramos de alegria por pacientes que nitidamente conseguimos ajudar na sua recuperação. Salvamos vidas e vimos a alegria dos familiares. Podemos dizer que, apesar de tudo o que passamos, nos sentimos muito felizes por ter enfrentado tudo isso com muita fé em Deus, dedicação e vontade de ser útil naquilo que fomos determinados a fazer: salvar vidas!

Ressalto aqui o trabalho de todos os envolvidos, desde a equipe médica, de toda a Enfermagem, fisioterapeutas, maqueiros, pessoal da limpeza, da farmácia, enfim, a todos os que estão diariamente na linha de frente.

E graças a Deus, em agosto de 2020 no Hospital Regional de Augustinópolis, o governo do estado instalou 10 leitos de UTI que estão sendo administrados pelo Instituto Sinai. Com isso a população de todo o Bico do Papagaio passou a ter mais dignidade e direito à saúde, pois a partir de então conseguiríamos ofertar um suporte avançado através da Ventilação Mecânica Artificial aos pacientes mais críticos, evitando assim ter que esperar a transferência para cidades como Araguaína ou Palmas.

André da Gama. Foto: Arquivo pessoal.

Por fim, veio a vacina e com ela outras incertezas. Antes de tomar a decisão de ser vacinado, fiz uma profunda análise e reflexão sobre todo o contexto. Apesar da polêmica acerca da vacina, devemos primeiramente confiar em Deus, esquecer um pouco a guerra comercial entre os países produtores das vacinas contra a covid-19 e, por último mas não menos importante, confiarmos em nossa Agência de Vigilância Sanitária (ANVISA), que tem um controle rigoroso de qualidade, pois não liberaria a vacina se de fato não tivesse eficácia ou não fosse benéfica para a população brasileira. Além do mais, não existe tratamento alternativo contra o coronavírus.

André da Gama é fisioterapeuta pós-graduado em Fisioterapia Intensiva. Trabalha na UTI e sala vermelha do Hospital Regional de Augustinópolis.

Veja também: Minha experiência na linha de frente da covid-19 no HRAug.

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