
“Se eu for contar a minha vida da quebra de coco, dá um romance”, lembra Dona Maria Batista dos Santos, de 62 anos, que vive em Praia Norte e faz parte da Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (Asmubip).
Integrantes desse grupo quebram coco babaçu diariamente para fazer sabão e azeite. Algumas vendem os produtos para comerciantes, enquanto outras vendem para a comunidade em geral de seus municípios.
Dona Maria explica que criou sete filhos quebrando coco e que essa atividade representa mais do que uma fonte de renda, mistura-se com a própria identidade da quebradeira. “Se eu passar uma semana em casa, eu até adoeço, se não for para o mato quebrar coco”, diz.
Devido à grande quantidade de coqueiros no Tocantins e às poucas oportunidades de emprego que algumas comunidades enfrentam, o trabalho de quebrar coco é comum no estado, apesar de estar diminuindo. Há algum tempo, a atividade era a profissão de inúmeras mulheres. Hoje, representa uma tradição deixada pelos mais antigos, como explica dona Maria:
“Essa questão de quebrar coco já vem lá das raízes velhas, aí a gente foi criada naquele rojão. Foi aquilo que nós vimos nossas mães fazerem e hoje é a tradição nossa, porque não tem outro serviço para nós fazermos, a não ser o coco. Nós não somos empregadas. E assim, vamos levando a vida sempre com o coco. Essa tradição já veio do começo da nossa vida e acho que vamos levar ela até… Do jeitinho que nossos mais velhos faziam”.
(Voz do Bico)












