Vicentinho Júnior, a bola está contigo!

segunda-feira, 26 de outubro de 2026 às 16:05
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Paulo Palmares,63, é editor do portal Voz do Bico. – (Gemini_Generated)

*Por Paulo Palmares

Meu caro governador eleito, Vicentinho Júnior, a bola está contigo! Agora é hora de transformar votos em resultados, promessas em ações e esperança em melhorias concretas na vida dos tocantinenses.

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Foram 562.083 eleitores, correspondentes a 64,52% dos votos válidos, que confiaram ao senhor a missão de governar o Tocantins. Uma vitória expressiva, que traz consigo uma grande responsabilidade: governar para todos, sem distinção de partido, ideologia, classe social ou região.

No futebol, há jogadores que gostam de fazer a festa para a torcida, mas sabem que o mais importante é marcar gols. Durante a pré-campanha e a campanha, o senhor soube fazer as duas coisas: conquistou simpatias com seu sorriso, sua acessibilidade, os abraços e os apertos de mão que transmitiam proximidade e compromisso. Agora, porém, chegou a hora de mostrar serviço. A torcida espera resultados.

Com o troféu da vitória nas mãos, é preciso lembrar que a eleição acabou. Não importa quem vestiu a camisa do seu time, quem torceu pelo adversário ou quem preferiu ficar de fora da disputa. O governo não pode ser um prêmio reservado aos aliados, tampouco um instrumento de perseguição aos adversários. Os portões do Palácio devem permanecer abertos a todos os tocantinenses, porque o Estado pertence à população, e não a um grupo político.

E aqui cabe uma verdade que precisa ser dita sem rodeios: a maioria da população não quer saber se o governador é de direita, centro ou esquerda. Muitos sequer sabem definir ou explicar com precisão o que essas classificações significam. O que as pessoas querem, na prática, é comida na mesa, atendimento digno nos hospitais, educação de qualidade para os filhos, segurança nas ruas, emprego, renda e oportunidades para prosperar.

O povo não vive de rótulos ideológicos. Vive de resultados. Não quer discursos intermináveis, mas soluções para problemas que se arrastam há anos. Quer um governo que trabalhe, entregue e preste contas.

Estamos todos aqui: os curraleiros, os povos originários, os indígenas de suas diversas etnias, os negros, os quilombolas, os trabalhadores do campo e da cidade, os pequenos produtores, os empresários, os homens e as mulheres que ajudam a construir diariamente este Estado. Também fazem parte dessa história os imigrantes que escolheram o Tocantins para viver, trabalhar e criar suas famílias.

Co yvy ore retama: esta terra é nossa! É a nossa pátria, o nosso lar e o lugar onde queremos construir um futuro melhor. A chave do governo estará em suas mãos pelos próximos quatro anos, e a expectativa é que ela abra portas, derrube barreiras e crie oportunidades para todos.

Como diz a canção Comida, dos Titãs, a gente não quer só comida: quer diversão e arte. Mas quer também dignidade, respeito, direitos básicos, cultura, participação social, transparência, combate à corrupção e cumprimento das promessas feitas durante a campanha.

Quer saúde que funcione, educação que prepare as novas gerações, segurança pública eficiente, infraestrutura adequada, estradas em boas condições, serviços públicos de qualidade e desenvolvimento econômico capaz de gerar emprego e renda em todas as regiões do Tocantins.

As mazelas que ainda afligem nossa população não podem ser tratadas como números frios de relatórios. A pobreza, a extrema pobreza, a falta de oportunidades, as desigualdades regionais e as dificuldades de acesso à saúde, à educação e aos serviços essenciais têm rosto, nome e endereço. São famílias que precisam de respostas urgentes, crianças que merecem um futuro digno e trabalhadores que desejam viver do próprio esforço.

Dados da Síntese de Indicadores Sociais do IBGE apontam a dimensão do desafio: cerca de 23,9% da população tocantinense estaria em situação de pobreza, enquanto 3,8% viveria em extrema pobreza. São números que exigem atenção, planejamento e políticas públicas efetivas. Por trás de cada percentual há pessoas que não podem ser esquecidas nem condenadas a esperar indefinidamente por dias melhores.

Entretanto, governador, o Tocantins não pode ser visto apenas pelo tamanho dos seus problemas. Nosso Estado também precisa ser reconhecido pela dimensão de suas potencialidades. Temos um agronegócio forte, agricultura familiar, pecuária, recursos naturais, posição geográfica estratégica, capacidade de atrair investimentos e um patrimônio ambiental e cultural extraordinário.

É hora de fomentar o potencial econômico tocantinense com planejamento, inovação e visão de futuro. Precisamos agregar valor à produção agropecuária, fortalecer a indústria, estimular o empreendedorismo, apoiar os pequenos negócios, ampliar a infraestrutura logística e criar condições para que empresas invistam, produzam e gerem empregos aqui. O desenvolvimento não pode ficar concentrado em algumas cidades ou setores: deve alcançar o Bico do Papagaio, o Jalapão, o sudeste, a região central, o sul e todas as demais regiões do Estado.

O Tocantins precisa produzir mais riqueza e, sobretudo, transformar essa riqueza em qualidade de vida para sua gente. Crescimento econômico sem distribuição de oportunidades não resolve todos os problemas; políticas sociais sem uma economia dinâmica também encontram limites. O desafio é fazer as duas coisas caminharem juntas: gerar riqueza, atrair investimentos, criar empregos e garantir que os benefícios do desenvolvimento cheguem à população.

Nesse cenário, o turismo merece atenção especial. Temos destinos de enorme potencial, como o Jalapão, as Serras Gerais, o Cantão, as praias fluviais, as belezas dos Rios Araguaia e Tocantins e a riqueza cultural das comunidades tradicionais. São ativos que podem movimentar hotéis, restaurantes, agências, transportadores, artesãos, guias e pequenos empreendedores, criando trabalho e renda para milhares de famílias.

Mas não basta divulgar paisagens bonitas. É necessário investir em acesso, saneamento, sinalização, qualificação profissional, preservação ambiental, segurança e promoção dos destinos. O turismo precisa ser tratado como atividade econômica estratégica, capaz de valorizar nossa identidade, preservar o patrimônio natural e distribuir oportunidades por todo o território tocantinense.

Governador, a bola está contigo. A partir de janeiro, será sua responsabilidade escalar o time que conduzirá o Estado. Escolha pessoas competentes, preparadas, honestas e comprometidas com o interesse público. Mais importante do que distribuir cargos para acomodar aliados será colocar cada pessoa na posição em que possa apresentar os melhores resultados. O Tocantins não pode perder mais tempo com improvisos, vaidades políticas ou disputas de bastidores.

Antes de entrar em campo, avalie as condições do gramado, conheça as dificuldades de cada região, ouça os prefeitos, os trabalhadores, os empresários, os produtores rurais, os movimentos sociais e as comunidades tradicionais. Planeje cada jogada, estabeleça metas e acompanhe de perto o desempenho de sua equipe. Um governo eficiente não se mede apenas pelo que anuncia, mas pelo que entrega.

Aos 41 anos, o senhor chega ao governo com a energia e a disposição próprias da juventude. O ex-governador Marcelo Miranda também tinha 41 anos quando assumiu o Executivo estadual, uma lembrança de que a idade pode representar vigor, mas é a qualidade das decisões que determina o legado de um governante.

Seus três mandatos como deputado federal lhe proporcionaram experiência política e conhecimento dos caminhos de Brasília. Some a isso a experiência de seu pai, Vicentinho Alves, aos 69 anos, com uma trajetória construída na vida pública, na Prefeitura de Porto Nacional, na Assembleia Legislativa e no Congresso Nacional. A experiência acumulada ao longo de tantos anos pode oferecer conselhos valiosos, desde que esteja sempre a serviço do interesse coletivo.

Juventude, experiência, capacidade de articulação e conhecimento das necessidades do Estado podem formar uma combinação poderosa. Mas nenhuma dessas qualidades, isoladamente, garante uma boa gestão. O que fará a diferença será a disposição de ouvir, corrigir erros, escolher bons quadros e colocar o interesse público acima das conveniências políticas.

A população não lhe entregou apenas uma vitória eleitoral. Entregou-lhe uma oportunidade histórica de mostrar que o Tocantins pode avançar, superar velhos problemas e construir um futuro de mais prosperidade e justiça social.

Daqui a quatro anos, o que realmente importará não será a quantidade de discursos, fotografias ou cerimônias, mas quantas famílias terão saído da pobreza, quantos empregos terão sido criados, quantas crianças terão recebido educação melhor, quantos pacientes terão sido atendidos a tempo e quanto o Estado terá avançado na geração de riqueza e na redução das desigualdades.

Governador Vicentinho Júnior, a bola está contigo. O povo já fez a sua parte nas urnas. Agora, espera que o senhor faça a sua no governo. Não importa a cor da camisa, a posição ideológica ou o tamanho da torcida. O que importa é jogar com seriedade, respeitar as regras republicanas e marcar os gols que o Tocantins precisa.

Porque, no fim da partida, o maior vencedor precisa ser o povo tocantinense.

Paulo Palmares, 63, bacharel em direito e editor do portal Voz do Bico.

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