Vidas negras importam

segunda-feira, 1 de junho de 2020 às 10:26
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Anna Laura Castro Sousa.Foto: Arquivo pessoal.

*Por Anna Laura Castro Sousa

É hora de usarmos nossas armas contra aqueles que nos ferem. O racismo não é história pra criança dormir, muito menos deve ser tratado como algo incomum. Ele se manifesta todos os dias de diversas formas e está no nosso cotidiano; meninas negras brincam com bonecas brancas e são tratadas como inferior por conta da cor.

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Sou negra, mulher. Nasci rodeada de estereótipos e de pessoas me dizendo o que eu poderia ser, tive que ouvir aos 8 anos uma colega de sala me chamar de “negra domesticada”. Porque minha mãe é branca, tive que escutar gracinhas sobre meu cabelo, meus lábios carnudos, meu nariz… Tantas coisas que me fizeram por muito tempo me detestar, me sentir diferente de todos como se eu não fosse merecedora, mas hoje, hoje não.

Hoje sei que os traços que herdei dos meus antepassados me tornam forte, tenho orgulho de ser quem sou, tenho orgulho da história dos que vieram antes de mim e foram tratados como meros escravos. Não somos menos que vocês, tampouco somos iguais.

Você acha que merece mais respeito que eu por sua cor ser diferente da minha? Acha que merecemos ser tratados como escravos? Acha que merecemos morrer pela nossa cor?

Estamos enfrentando diariamente guerras interiores e ainda por cima (em pleno século 21) temos que encarar a sociedade nos olhando torto, trocando de lado da rua quando passamos, sendo tratados como animais e não como pessoas.

Agora me respondam, policiais, em uma abordagem num bairro chique uma pessoa branca bem vestida tem uma atitude suspeita, você grita “mãos aonde eu possa ver”? Ou você atira?

Não precisa responder, foi uma pergunta retórica. Vocês apontam armas para o céu e gritam “bandido bom, é bandido morto”. A referência de vocês é sempre a do negro e pobre, vocês matam nossos pais, vocês nos matam diariamente dizendo que lutam por justiça, mas na realidade vocês só escancaram a desigualdade que mora por todo o mundo.

Enquanto nós morremos, os verdadeiros bandidos engravatados continuam no poder proferindo seus discursos de ódio.

Nossa luta não é contra pessoas brancas, nossa luta é contra atos racistas, gente racista. E não achem que vamos nos calar! Quanto mais nos matarem, mais vamos nos rebelar, pois VIDAS NEGRAS IMPORTAM!

Anna Laura Castro Sousa tem 16 anos e cursa a primeira série do Ensino Médio em Palmas, Tocantins.

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