Lixo toma conta de Belém e pode piorar

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019 às 09:39
Na área Canal São Joaquim, no Barreiro, a situação é agravada pela pela presença de urubus (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)

No último dia 27 de dezembro, a reportagem do DIÁRIO percorreu algumas ruas da capital paraense para ver como estava sendo feita a coleta de lixo, comprometida à época por conta da interrupção no repasse de verbas da Prefeitura de Belém para a empresa BA Meio Ambiente, responsável pelo serviço em 33 bairros da capital. Sete dias depois, o cenário permanece o mesmo, com alguns lugares ainda piores. Verdadeiros lixões a céu aberto continuam poluindo a cidade, incluindo os visitados anteriormente, como a passagem Água Cristal, no bairro da Marambaia. Montanhas de lixo continuam acumuladas nos dois lados da pista que cercam o canal. E a situação pode ficar bem pior a partir deste final de semana.

A empresa responsável por 50% da coleta de resíduos sólidos de Belém, abrangendo 33 bairros e os Distritos de Icoaraci e Outeiro, além de três ilhas, informou, através de sua assessoria, que a reserva de diesel para seus carros de coleta dura até esta sexta-feira. Caso a prefeitura não pague o que deve, a empresa não terá mais como manter o serviço de coleta na sua área de abrangência. A BA argumenta que a prefeitura deve cerca de R$ 15 milhões à empresa, referentes a seis meses de atraso: outubro, novembro e dezembro de 2017 e outubro e novembro e dezembro deste ano. A cada dia que passa cada vez menos carros saem para o trabalho de coleta dos resíduos.

Na avenida Pedro Álvares Cabral, a calçada e a ciclofaixa deram lugar ao lixo (Foto: Ney Marcondes/Diário do Pará)

Enquanto isso, os moradores já não sabem mais a quem recorrer e constantemente apresentam sinais de doenças provocados pela sujeira. A dona de casa Raimunda Pantoja, 68, conhece bem essa realidade. Há 30 anos mora na passagem União, na Marambaia, e garante que nos últimos meses o descaso tem batido verdadeiros recordes. “Continuam não aparecendo para fazer a coleta. Praticamente desistimos de viver aqui. Não é possível conviver com todo esse lixo. É um absurdo e uma falta de responsabilidade do prefeito”, lamenta.

A reclamação se fundamenta no total sumiço dos caminhões que deveriam fazer o serviço de coleta. Em todos os pontos visitados pela nossa reportagem, os moradores continuam dizendo que desde o Natal não é feita a retirada do lixo e entulho e que a solução encontrada muitas vezes está na vedação total dos imóveis, como explica Augusto César Lima, 47, morador da rua WE-12, no Conjunto Paraíso dos Pássaros, em Val-de-Cans, onde a cena é estarrecedora.

São cerca de 300 metros completamente tomados por sacos de lixo, resto de comida, corpos de animais em decomposição, além de sofás, televisores e muita mosca. O problema se agrava com a presença constante de carroceiros, que muitas vezes chegam de dupla e ameaçam quem os repreende. Para se ter uma ideia, não há mais espaço algum para o tráfego de veículos. Apenas carroças e pessoas se arriscam a andar no meio de tanta sujeira.

“Eu tranco toda a minha casa. O cheiro que vem da rua é insuportável”, conta Augusto César. “Vem carroceiro, picapes novas, todo mundo vem aqui, joga lixo e vai embora”, afirma. O vendedor diz que desde o dia 21 de dezembro os carros coletores de lixo não passam no local.

Por toda cidade a cena é a mesma: montes de lixo podem ser avistados, sobretudo nas vias que possuem canal, caso da avenida Visconde de Inhaúma, na Pedreira. A quantidade de sacolas só não é maior que o número de urubus sobrevoando esses pontos. Tanto lixo compromete a saúde e também a segurança, pois os moradores evitam passar por esses locais, abrindo espaço para o controle de criminosos que assaltam na área.

Basta uma volta pelos bairros da Pedreira, Marambaia, Val-de-Cans, Sacramenta, Barreiro, entre outros, para comprovar o problema. Se nas áreas centrais da cidade a situação é um pouco melhor, nas periferias o drama é evidente. Trechos das avenidas Pedro Álvares Cabral e Doutor Freitas também apresentam pontos de acúmulo. Muitos moradores já se acostumaram com o mau cheiro, enquanto outros ainda sonham com dias melhores.

OUTRO LADO

Em nota enviada à redação, a Prefeitura de Belém informou que em todos os locais citados na reportagem foram executados serviços de coleta do lixo domiciliar esta semana. Dentro da recorrência de três vezes por semana, as referidas vias receberão nova coleta até hoje. Os locais com falhas de retirada de lixo e entulho estão sendo identificados para que a empresa seja notificada pela deficiência do serviço prestado.

A Prefeitura informa ainda que vem pagando a empresa dentro do prazo firmado em contrato, que garante até 90 dias para o pagamento pelos serviços prestados.

PARA ENTENDER

A BA Meio Ambiente, responsável por 50% da coleta de resíduos sólidos de Belém, abrangendo 33 bairros e os Distritos de Icoaraci e Outeiro, além de 3 ilhas informa que a reserva de diesel para seus carros de coleta dura até esta sexta-feira. Caso a prefeitura não pague o que deve a empresa não terá mais como manter o serviço.

A BA emprega 800 trabalhadores, além de 50 caçambeiros terceirizados. A cada dia que passa cada vez menos carros saem para o trabalho de coleta dos resíduos. A empresa não teve recursos para pagar a segunda parcela do 13º salário dos trabalhadores e os caçambeiros também não receberam esses seis meses de atraso.

(Luiz Guilherme Ramos/Diário do Pará)

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