Siqueira Campos é acusado de mandar matar desembargador nos anos 90

quarta-feira, 5 de julho de 2017 às 11:03
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Antônio Felix faleceu no ano passado; o jurista atuou por muitos anos no Estado e morava em Araguaína

O desembargador aposentado, Liberato Póvoa, revelou em seu site pessoal com detalhes uma suposta trama que teria sido arquitetada pelo então governador Siqueira Campos, nos anos 90, para ceifar a vida do também desembargador Antônio Félix, que era de Araguaína e faleceu em março do ano passado.

Póvoa afirma que não é segredo que Siqueira Campos usava de todos os expedientes, legais e ilegais (principalmente) para manter-se empoleirado no poder. Mas quase ninguém sabe que ele chegou ao ponto de encomendar a morte de um dos desembargadores no distante ano de 1990, por não seguir sua cartilha.

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Ele conta que Antônio Félix sempre assumiu uma postura de total independência, e isto incomodava o governador Siqueira Campos. “Antônio Félix jamais foi à casa do mandatário, jamais aceitou qualquer benesse ou favor governamental. E não aceitando nada, ficava à margem de qualquer tentativa de acordo com o Governo. O objetivo de Siqueira era expelir Antônio Félix do Tribunal e colocar no seu lugar o Dr. Clarismar Fernandes, então Secretário-Chefe da Casa Civil, advogado, e, como tal, podia ser indicado para a vaga”, conta.

Póvoa conta também como soube do suposto plano para tirar a vida do desembargador. “Ainda em Miracema, funcionando o Tribunal no Fórum adaptado, certo dia o desembargador José Maria das Neves, que ainda era muito amigo de Antônio Félix, por serem velhos conhecidos, morarem em Araguaína e virem semanalmente no mesmo carro para as sessões da Corte, chegou apavorado e lhe indaguei a razão daquilo:

– O Governador quis aposentar o “Boca de Burro” (que era o apelido de Antônio Félix na intimidade), para dar o lugar pra Clarismar! – disse, preocupado.

– Aposentar, como? – Quis saber.

– Propôs conseguir um atestado médico de invalidez, mas o Boca “empinou a carroça”.

Póvoa afirma que, nessa época, era o presidente do Tribunal e foi chamado ao Palácio Araguaia (que funcionava em um colégio adaptado na capital provisória Miracema) para tratar de um assunto importante.

Foi, quando ele me disse que tinha uma missão para mim: conseguir um laudo de uma junta médica que comprovasse a invalidez de Antônio Félix, mas sem declinar-me a razão do pedido. Disse a ele que aquilo era impossível, pois Antônio Félix nunca demonstrara qualquer indício de doença, além de ser um ato que implicaria em crime de falsidade ideológica. E recusei-me a atender seu pedido, e em razão disso vi a fúria do mandatário, que – acostumado a mandar e a ser obedecido – viu ser repelida uma determinação sua, conta.

Segundo Liberato Póvoa, depois disso, Antônio Félix passou alguns dias sem ir ao Tribunal e depois ficou sabendo que Siqueira Campos teria combinado com o delegado Leão Lopes Júnior, recém-empossado secretário da Segurança Pública, de mandar sequestrar e matar Antônio Félix no percurso Araguaína/Palmas.

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