Mais de 90% dos travestis e trans já sofreram ataques em Palmas

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2018 às 11:12
1.074
Cinthia Abreu / Ascom DPE

PALMAS – Ao todo, 96,4% dos travestis e transexuais de Palmas já sofreram agressão físicas, segundo Associação dos Transexuais e Travestis do Tocantins (Atrato). Ainda de acordo com dados da instituição, 45% travestis e trans saíram de casa entre os 13 e os 17 anos, por preconceito da família, e que três casos de transfobia e homofobia foram registrados em Palmas em 2017.

Os dados da Atrato foram divulgados pela Defensoria Pública do Tocantins nesta segunda-feira (19) e mostram, ainda, que cerca de 30 travestis e transexuais vivem em Palmas atualmente. Destes, 90% escolheram a prostituição por falta de oportunidades de trabalho. Além disso, apenas 59,4% dos trans estudaram até o 3º ano do ensino médio.

Publicidade

A falta de oportunidades no mercado de trabalho foi identificada em atendimento nos pontos de prostituição em Palmas, realizado pela Defensoria, por meio do Núcleo Aplicado de Defesa das Minorias e Ações Coletivas (NUAmac Palmas), em parceria com a Atrato e a Prefeitura de Palmas.

“O mercado de trabalho tenta nos apagar. Na maioria das vezes, as empresas não querem saber o que você tem a oferecer, por isso, a única saída, então, é a prostituição”, afirma a presidente da Atrato, Byanca Marchiori.

A história da presidente da Associação é um caso raro em todo o movimento. Ela conta que também teve que se prostituir para sobreviver, mas conseguiu uma oportunidade de trabalho que mudou sua história. “Hoje eu sou técnica de enfermagem e instrumentadora cirúrgica, concluindo o curso de Enfermagem”, orgulha-se. Ela lembra que há poucas trans que conseguiram vaga no mercado de trabalho. “Que eu tenho conhecimento só tem eu, uma secretária de uma escola no município de Palmas e uma assessora de órgão público”, ressalta.

Para a coordenadora do NUAmac, defensora pública Letícia Amorim, no mercado de trabalho a sociedade e as políticas públicas ainda estão longe de promover a inclusão à população trans. Segundo a defensora, a falta de oportunidade no mercado de trabalho deságua em outros graves problemas, tais como o suicídio. “É necessário ampliar o acesso desta população à prevenção, proteção e assistência à saúde, além de ofertar atenção integral às suas necessidades”, disse. (Redação Voz do Bico, com informações da DPE-TO)

-- Publicidade --