Plano da Seduc de retorno às aulas divide pais e gera medo e incerteza, diz texto que circula nas redes sociais

terça-feira, 16 de junho de 2020 às 17:24
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Sistema proposto pela Seduc começará com alunos do 3° ano do ensino médio. Foto: Marcio Vieira.

TOCANTINS – Um texto que tem circulado em redes sociais do Tocantins revela o receio que muitos pais de alunos de escolas estaduais têm quanto ao retorno das aulas, previsto no cronograma desenvolvido pela Secretaria de Educação do Tocantins (Seduc).

O plano da Seduc é realizar um retorno gradual das aulas presenciais. Primeiro, serão ministradas aulas de forma remota; depois, será adotado o sistema semipresencial e, por último, o presencial. Veja o texto enviado por pais de alunos ao portal Voz do Bico:

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Após três meses de aulas suspensas, a Secretaria de Educação do Tocantins (Seduc/TO) anunciou, na primeira semana de junho, em entrevista coletiva, o plano de retomada das aulas na rede pública estadual. De forma escalonada, o plano é composto por três fases, em que, a partir do dia 29 de julho, estudantes da 3ª série do Ensino Médio iniciarão as aulas com trabalho remoto (aulas on-line e entrega de material impresso). As demais séries não entram nessa fase.

O plano descreve que, em agosto, mais precisamente no dia 03, os alunos da 3ª série do Ensino Médio já passam para a fase semipresencial, em que metade da turma vai à escola para ter aula presencial com o professor e a outra metade fica em casa estudando com material disponibilizado pela escola. E a cada semana, a Seduc fará uma análise da pandemia de Covid-19 a fim de autorizar que as demais séries iniciem a fase semipresencial. O que chama atenção é que a Seduc não diz no plano como fará com as aulas das demais séries caso a pandemia não permita um retorno seguro para as aulas na escola.

No plano de retomada da Seduc, vale destacar que só há previsão de trabalho remoto (aula on-line e entrega de material impresso) aos alunos da 3ª série do Ensino Médio, ou seja, as demais séries já retornam direto para a fase semipresencial até atingir a fase totalmente presencial. E foi justamente isso que causou pânico a pais e alunos da rede pública estadual.

“Isso é um plano suicida!”, afirmou uma mãe da rede estadual de Araguaína, que deixou claro que não enviará a filha em hipótese alguma se a Seduc oficializar o plano da forma como foi divulgado. Outros pais já se manifestaram em redes sociais e grupo de pais e são contrários ao Plano de Retorno às aulas semipresenciais. Para eles, a Seduc teve três meses para organizar a rede estadual e por em prática as o Ensino Remoto com base nas orientações do Ministério da Educação, Conselho Nacional de Educação e Tribunal de Contas do Estado do Tocantins. No entanto, apresentou um plano totalmente questionável.

“Não entendo como é que cerca de 20 estados do país já aderiram ao trabalho remoto, e as escolas municipais e particulares do Tocantins estão mantendo o Ensino Remoto, e só a rede pública estadual não consegue organizar o mesmo?”, questionou a responsável por dois alunos da rede estadual de Augustinópolis. Para ela, a Seduc está se omitindo e causando com esse plano de retomada prejuízos bem maiores do que aqueles que já se haviam com a suspensão das aulas.

Não só pais e alunos estão preocupados com esse retorno perigoso das atividades. Um professor há mais de dez anos na rede estadual e que pediu para não ser identificado afirmou que a equipe da escola em que trabalha está totalmente insegura quanto a esse retorno de aulas presenciais. Para ele, o servidor está mais exposto do que nunca e que a Seduc deveria ter investido, nesse período de suspensão de aula, em formação para Ensino Remoto e equipamentos nas escolas para gravar e transmitir aulas aos alunos.

Enquanto a Secretaria Estadual de Educação se prepara para por o seu plano de retorno em prática, o pânico vem consumindo o público da rede estadual. Alguns pais estão retirando os filhos da escola pública e levando para a rede particular. Outros já estão recorrendo ao Ministério Público e entrando com uma ação para que o Direito à Educação, previsto na legislação brasileira, seja cumprido pelo Estado com atividades de Ensino Remoto, evitando, assim, aulas presenciais precipitadas, que colocam em risco a vida de estudantes, familiares e servidores em meio a uma pandemia que ainda não atingiu o seu ápice no Tocantins.

(Voz do Bico)

Veja também: Cronograma de retorno às aulas da rede estadual é divulgado.

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