
A cartilha “Família Protetora”, lançada pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos (MMFDH), é um guia para que pais e responsáveis saibam como identificar e prevenir riscos de abuso sexual, exploração infantil e pedofilia. O material pode ser baixado aqui.
No Tocantins, segundo dados da Secretaria Estadual de Segurança Pública (SSP-TO), só no primeiro quadrimestre de 2020, o crime de estupro de vulnerável cometido contra crianças e adolescentes de 0 a 17 anos de idade teve 35 registros. O número é maior que o de lesões corporais: 27 casos, considerando a mesma faixa etária.
Como prevenir situações de abuso
O MMFDH elencou uma série de cuidados que os responsáveis pela criança ou adolescente devem ter para prevenir casos de violência sexual:
– Evite deixar seu filho dormir em casa de parentes ou amigos, os quais não têm conhecimento ou confiança suficiente.
– Procure conhecer os amigos dos seus filhos, como também os pais ou responsáveis. Isso facilitará a supervisão a distância quando permitir que seus filhos frequentem a casa deles para a realização de trabalhos escolares ou mesmo para a simples diversão. Procure saber também quem estará na casa para supervisioná-los. Lembre-se que o abusador geralmente é alguém conhecido da família e acima de qualquer suspeita.
– Prestadores de serviço jamais deverão entrar em sua casa sem a presença de um adulto. Também cabe aos pais orientar seus filhos para que jamais recebam sozinhos qualquer pessoa desconhecida.
– Ao atender prestadores de serviços, evite fornecer informações sobre quantos membros tem em casa, a idade dos filhos e sua rotina. Não permita que esses profissionais fiquem sozinhos em espaços da residência sem necessidade ou que venham a ter acesso a chaves.
– Oriente seus filhos e informe a escola sobre quem pode buscá-los. Ao levá-los para a escola, certifique-se de que realmente entraram na instituição com segurança. Oriente-os, por exemplo, sobre como proceder quando você for se atrasar para buscá-los.
– Jamais deixe seu filho ir sozinho para banheiros públicos em restaurantes, supermercados etc. Sempre o acompanhe ou aguarde do lado de fora, verificando se ele está seguro, mantendo uma conversa mesmo que você esteja afastado.
– Supervisione o uso da internet e mantenha o computador em local de fácil acesso a todos (preferencialmente na sala ou nos locais de passagem da casa).
– Tenha atenção no convívio de seus filhos em brincadeiras com crianças mais velhas, orientando-os que ninguém pode tocar em suas partes íntimas nem ele nas partes íntimas de outras pessoas ou crianças.
Perfil do abusador
O mais grave sobre esse assunto é que a pessoa que pratica a violência, na grande maioria dos casos, é alguém próximo à criança, acima de qualquer suspeita, que não é vista como um criminoso, mas sim, como alguém comum, “de confiança”.
Segundo o perfil levantado pelo MMFDH, o abusador geralmente é uma pessoa querida pelas crianças e adolescentes, como tio, padrasto, amigo da família etc, e que usa da violência silenciosa, da ameaça verbal ou apenas velada. Ainda, a maioria dos abusadores pertence a famílias que vivenciam problemas como uso de bebidas alcoólicas, drogas ou algum tipo de violência doméstica.
Como identificar situações de violência sexual
As vítimas costumam apresentar alguns sinais e certas mudanças em seu comportamento. Os pais ou responsáveis devem ficar atentos a alterações de hábito que ocorram de maneira repentina. Observe sempre seus filhos e verifique a presença de:
– Problemas escolares como notas baixas, isolamento, agressividade com colegas e professores.
– Insônia, pesadelos frequentes, querer dormir com a mãe ou com a luz do quarto acesa.
– Perda de apetite ou compulsão alimentar.
– Curiosidade sexual excessiva ou conhecimento sexual inapropriado para a idade.
– Desenhos e textos relacionados a situações de abuso sexual.
– Interesse por brincadeiras, filmes e jogos sexualizados.
– Instabilidade emocional ou tristeza profunda manifestos através de choros sem razão ou motivo aparente, depressão, transtornos de ansiedade, ideias suicidas.
– Incomodar-se ao ser abraçado ou ser tocado.
– Autodepreciarão do corpo.
– Comportamento extremamente tenso, uso de palavrões ou presença de gestos obscenos.
– Dor, inchaço ou sangramento em área genital ou infecção na região genital e abdominal.
– Aparecimento de hematomas no corpo.
– Ocorrência de doenças sexualmente transmissíveis.
– Falta de confiança na figura feminina ou masculina dependendo de quem é o abusador, ou repúdio por alguém que a criança a princípio deveria gostar.
O diálogo é o melhor caminho para uma infância emocionalmente saudável, não apenas se tratando de casos de violência. Se uma criança apresentar alguns dos sinais listados acima, a polícia (190) ou os Direitos Humanos (100) devem ser acionados.
(Voz do Bico)












