Bico do Papagaio e sua vocação eleitoral em tempos de fragmentação política

quarta-feira, 9 de agosto de 2017 às 14:43
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Foto: Montagem VB/ Internet

O Ibope divulgou recentemente um levantamento, a pedido da Associação Comercial e industrial de Palmas (Acipa), no qual 51% dos eleitores tocantinenses entrevistados revelaram ter pouco ou nenhum interesse nas eleições para governo e senado que irão acontecer no ano que vem.

Em um cenário de descrença e de carência de lideranças – no qual todo o País se encontra –, o Tocantins, no alto de sua, sempre que possível citada, juventude, respira ares talvez ainda mais densos. O governo do Estado enfrenta diversas críticas em praticamente todos os segmentos da administração e carrega uma indiscutível impopularidade. Isso sem contar que o nome do Governador Marcelo Miranda (PMDB) foi citado em várias operações da Polícia Federal (PF), entre elas a Rei do Gado, que estima desvios milionários e lavagem de dinheiro. Apesar de nada provado até o momento, é de se esperar que a desconfiança caia sobre a população.

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A pesquisa do Ibope revela também que 56% dos eleitores, não sabem em quem irão votar. Nessa conjuntura, o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), que pode sofre um duro golpe com a PEC 306, aparece com inexpressivos 9% das intenções de voto. O que assusta é o fato de ele liderar a pesquisa no quesito “espontâneo”; Marcelo Miranda aparece em segundo lugar com apenas 6% das intenções, Katia Abreu com 5% em terceiro e Mauro Carlesse (PTB), Vicentinho Alves (PR) e outros seguem com intenções entre 1% e 2%.

Em um outro cenário, onde os eleitores foram questionados sobre em quem votariam no quesito “estimulado”, apresentando os nomes Amastha, Ataídes Oliveira, Katia Abreu, Mauro Carlesse e Vicentinho Alves. Katia Abreu aparece em primeiro, com 27% das intenções de votos, seguida por Amastha, com 23%. Como Katia Abreu e Marcelo Miranda não podem concorrer simultaneamente, pois são do mesmo partido, exceto que um dos dois abandone ou seja expulso do PMDB, em um embate entre o atual governador e o prefeito de Palmas, Amastha sairia vitorioso com 26% das intenções, contra 15% de Miranda.

A situação é complexa e fragmentada, mas Amastha, em simulações de possíveis segundos turnos, venceria todos os concorrentes citados pelo Ibope. O cansaço e a falta de uma liderança substancial parecem apontar para um fortalecimento do discurso progressista de Amastha, encarnando a “mudança”, através do sua auto identificação como “o novo”. Ele, que como governador de fato seria uma quebra nas, até hoje unanimes, oligarquias tocantinenses. Como político e por não “medir” palavras conquistou na vida política admiradores ferrenhos e também muitos críticos determinados.

A partir disso, resta saber se o homem que em 2012 saiu de pouco mais de 1% das intenções de votos e conquistou a prefeitura de Palmas, representa de fato uma mudança ou apenas uma nova forma de fazer política pensando nos interesses próprios.

É importante lembrar que ele já se contradisse e também já descumpriu promessas, quando, por exemplo, se candidatou a reeleição em 2016 – em sua primeira eleição ele prometia em seus comícios que aquele seria seu único mandato como prefeito de Palmas. Por outro lado, Amastha tem boa aprovação como prefeito da Capital, diferente de Marcelo Miranda como governador. Apesar disso, como vem se tornando quase que regra entre todos os políticos, Amastha também sofreu denúncias da PF na operação Nosotros.

As eleições se aproximam e muitos políticos já se movimentam em articulações. Como Mauro Carlesse (PTB), presidente da Assembleia Legislativa e Katia Abreu (PMDB), que já começaram a rodar o Estado e visitaram o Bico do Papagaio. Amastha segue o fluxo e também já visitou a região. E a população da região mais distante geograficamente da Capital, de certa forma vê o mesmo filme se repetir ornamentado por termos como “novo” e “mudança” (que sempre fizeram parte da retórica política), agora ditos também com sotaque e voz risonha.

 

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