
PALMAS – A ex-senadora Kátia Abreu foi oficialmente anunciada, neste sábado (4), como nova filiada ao Partido dos Trabalhadores no Tocantins (PT-TO). O anúncio foi feito pelo presidente regional da sigla, Nile William, ao lado da presidente municipal em Palmas, Rosimar Mendes.
Durante o evento, Nile destacou a trajetória recente de aproximação política e classificou Kátia como “companheira de muita luta”, ressaltando a atuação conjunta em defesa da democracia. Já em seu primeiro discurso como filiada, Kátia Abreu adotou um tom alinhado ao partido e ao governo federal.
“Estaremos juntos nesta luta pela democracia, pela reeleição do presidente Lula, para que possamos continuar trabalhando por dias melhores, pela igualdade e por mais justiça social”, afirmou. Em seguida, evocou uma adaptação de um conhecido lema político tocantinense: “Este é o estado da livre iniciativa, do trabalho e da justiça social”, lembrando o ex-governador Siqueira Campos.
De adversária a aliada
A filiação marca mais um capítulo de uma trajetória política marcada por mudanças de posicionamento. Durante anos, Kátia Abreu esteve entre as principais vozes de oposição ao PT, tanto no Tocantins quanto no Congresso Nacional. No Senado, por exemplo, foi relatora da proposta que resultou no fim da CPMF durante o segundo governo Lula.
A relação com o partido começou a mudar a partir da aproximação com a ex-presidente Dilma Rousseff. Entre 2015 e 2016, Kátia assumiu o Ministério da Agricultura e se tornou uma das principais defensoras de Dilma durante o processo de impeachment, atuando nos bastidores e no plenário contra o afastamento.
Trajetória política e mudanças partidárias
Ao longo da carreira, Kátia Abreu transitou por diferentes campos ideológicos e legendas. Iniciou sua vida pública como representante da bancada ruralista, vinculada a partidos de perfil mais à direita, como PFL e DEM. Posteriormente, passou por PSD, MDB e PDT.
Em 2018, foi candidata a vice-presidente da República na chapa de Ciro Gomes, pelo PDT. Já em 2022, aproximou-se da candidatura de Luiz Inácio Lula da Silva no Tocantins, consolidando uma guinada política que agora culmina em sua filiação ao PT.
Eleita senadora em 2014 pelo então PMDB, teve como primeiro suplente o petista histórico Donizeti Nogueira — um indício precoce de aproximação com setores da esquerda. Após isso, ainda passou pelo Progressistas antes do movimento atual.
Cenário político e incógnitas
A nova filiação também levanta questionamentos sobre os desdobramentos políticos dentro da própria família Abreu e seus aliados. Iratã Abreu é pré-candidato a deputado federal pelo PSDB, ao lado do pré-candidato ao governo Vicentinho Júnior (PSDB). Já o senador Irajá Abreu busca a reeleição pelo PSD, integrando a chapa liderada pelo vice-governador Laurez Moreira.
Com Kátia agora no PT, o cenário evidencia uma fragmentação de alianças e estratégias dentro do mesmo grupo político, levantando dúvidas sobre os rumos eleitorais e a coerência dessas articulações.
Diante desse quadro, permanece a pergunta: como interpretar mais essa reconfiguração no já dinâmico tabuleiro político tocantinense?
(Redação Voz do Bico, com informações Assessoria)












