
PALMAS – A Polícia Civil prendeu, na manhã desta sexta-feira (3), 22 pessoas suspeitas de envolvimento em esquema criminoso de desvio de verbas públicas por meio da realização de convênios entre entidades do terceiro setor, Fundação de Esportes e Lazer de Palmas (Fundesportes) e a Secretaria de Governo e Relações Institucionais de Palmas (SEGRI). Os nomes dos presos não foram divulgados.
As prisões fazem parte da segunda fase da Operação Jogo Limpo, que visa ao cumprimento de 26 mandados de prisão e 31 de busca e apreensão em desfavor de presidentes de associações, empresários, servidores públicos e gestores políticos. A operação contou com o apoio de 40 delegados, 10 peritos e 110 policiais civis de nove delegacias regionais.
Segundo a Polícia Civil, durante a ação, o marido de uma das mulheres presas também foi detido por posse de arma de fogo. As prisões e buscas foram realizadas nos municípios de Palmas, Fortaleza do Tabocão e Aparecida do Rio Negro, além de Goiânia (GO). Na Capital, as diligências se concentraram na Câmara de Vereadores.
Três parlamentares e um ex-vereador são suspeitos de compor o grupo criminoso e tiveram as prisões decretadas. A Justiça decretou a prisão temporária dos vereadores José do Lago Folha (PSD), Major Negreiros (PSB) e Rogério Freitas (MDB). De acordo com a polícia, há comprovações de transferências bancárias vindas das entidades envolvidas no esquema para as contas bancárias dos vereadores.
As investigações da Polícia Civil duraram cerca de um ano. Na primeira fase, realizada em fevereiro de 2018. De acordo com o delegado Guilherme Rocha, responsável pela operação, o esquema fraudulento vem ocorrendo desde o ano de 2014. Suspeita-se que o dinheiro desviado dos cofres públicos passava por entidades sem fins lucrativos ligadas às práticas esportivas e culturais e eram destinadas a pagamentos de lideranças políticas e integrantes do Legislativo municipal. “Estimamos que cerca de R$ 7 milhões foram desviados neste esquema que contou, inclusive, com entidade beneficente de assistência a dependentes químicos”, afirmou.
Segundo as investigações, empresas fantasmas emitiam notas fiscais frias para justificar despesas e serviços não realizados na prestação de contas dos convênios, sendo que os valores recebidos eram desviados para servidores públicos, presidentes de entidades, empresários e agentes políticos. O esquema utilizava associações ligadas às práticas esportivas, manifestações culturais, como quadrilhas juninas, e até mesmo uma associação de apoio a dependentes químicos.
Veja como o esquema funcionava:

Por meio de nota, a Câmara de Palmas informou que o presidente da Casa, vereador Folha, cumpre agenda política em Araguaína e está a caminho de Palmas para prestar os esclarecimentos necessários à Polícia Civil. O chefe de gabinete do major Negreiros informou que ele está viajando com a família para o Chile e ainda não tomou conhecimento da operação.
Já a Prefeitura de Palmas se colocou à disposição da Justiça e da investigação para contribuir com qualquer esclarecimento. O vereador Rogério Freitas disse, em entrevista à TV Anhanguera, que não foi acusado de nada e é inocente.
Veja o nome das pessoas com prisão decretada:
- Marcio Marques Soares
- Elza Maria Silva Carvalho Soares
- Salvador Domingos Anjos
- Waldson Pereira Salazar
- Fernando Fagundes Bastos
- Armando Cabrera Abreus
- Bruno Henrique Castilho Lopes
- Pedro Neto Gomes Queiroz
- Neimar Tavares Magalhães
- Adenilton de Sousa Barbosa
- Cláudio Adalberto do Amaral Santos
- Renato Cesar Auler do Amaral Santos
- Jose Antônio Coelho Dos Santos
- Pedro Coelho Dos Santos
- Ana Maria Lage Rabelo
- Marcelo Rosseto Claudiano
- Jocivaldo Dias Cardoso
- Jarbas Pinheiro de Lemos
- Wilson Alves da Silva
- Marcio Keilos Simão de Carvalho
- Flaviane Cruz Cardoso Santos
- Florisval Batista dos Santos
- Clayzer Magno Duarte
- Raimundo Rêgo de Negreiros
- Rogério Freitas Leda Barros
- José do Lago Folha Filho












