
Redação Voz do Bico
AUGUSTINÓPOLIS – Após a Justiça decretar a prisão de 10 dos 11 vereadores de Augustinópolis e o afastamento por 180 dias das funções públicas, a Câmara Municipal segue com apenas um parlamentar, o vereador Cicero Moutinho, atual presidente da Casa de Leis e que não é investigado nessa primeira fase da Operação Perfídia. A Justiça determinou a posse imediata dos 10 suplentes, mas eles ainda não foram empossados.
Conforme apurado pelo Portal Voz do Bico, dos 10 suplentes aptos a assumirem o cargo de vereador, apenas quatro teriam sidos diplomados pela Justiça Eleitoral. Ainda segundo informações, o Chefe do Cartório Eleitoral de Augustinópolis aguarda uma decisão do juiz eleitoral e um comunicado do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-TO) para emitir a relação dos suplentes que devem ser empossados pela Câmara de Vereadores.
Na tarde dessa sexta-feira (25), o advogado Ademar Parente solicitou à Justiça Eleitoral a lista dos 10 suplentes de vereadores para que seja providenciada a posse imediata deles. O advogado disse que após receber a relação ia notificar o presidente da Casa de Leis para dar posse imediata aos suplentes.
De acordo com o resultado das Eleições Municipais de 2016 e conforme um advogado consultado pelo Portal Voz do Bico, os 10 suplentes de vereadores que devem assumir vaga na Câmara Municipal de Augustinópolis são:
Coligação Avança Augustinópolis (Carmen Alcântara)
– Antônio Reinaldo Ferreira Gomes (Reinaldão)
– Josenildo Ferreira Barbosa (Lagoa)
– Joacy Costa
– Daniel Walisson de Jesus Sousa
Coligação O Povo Faz a Mudança (Júlio Oliveira)
– Frederico Guedes de Oliveira (Fred)
– Elias Madeira Pereira
Coligação Por Um Augustinópolis Melhor (Solange)
– Solange dos Santos Araújo (Solange do Donizete)
– Marconcélio Assunção da Silva
– Jarbas Fernandes de Andrade (Cabeção)
– Edimar Cardoso de Oliveira (Edmar do Artur).
Operação Perfídia
Deflagrada nessa sexta-feira (25), a Operação Perfídia investiga cobrança de propina por parte dos vereadores de Augustinópolis para aprovar projetos da prefeitura. Dez dos 11 vereadores tiveram a prisão decretada. Nove já estão presos e um continua foragido. A operação veio depois de denúncias informando o caso e escutas telefônicas autorizadas pela Justiça, que renderam mais 120 páginas a Polícia Civil, na qual os vereadores falavam abertamente sobre um “extra” para votação dos projetos encaminhados pela prefeitura.
Segundo a Polícia Civil, os valores pagos eram proporcionais ao grau de influência dos vereadores e variavam de R$ 1,5 mil a R$ 8 mil por mês. As investigações apontam que o esquema movimentava cerca de R$ 40 mil por mês. A suspeita é que o esquema estaria funcionando desde 2017 e já teria causado um rombo de R$ 1,5 milhão aos cofres públicos.
Na decisão que decretou a prisão dos 10 vereadores, o juiz Jefferson Asevedo destaca que os vereadores Neguim da Civil e Luizinha lideravam o esquema de recebimento de propina e recebiam os maiores valores.
A Polícia Civil também cumpriu 14 de busca e apreensão, além três intimações coercitivas para o secretário municipal de Administração, Paulo Esse, e o Controle Interno, Pedro Amaro. O presidente da Câmara de Vereadores que não é investigado neste momento também foi levado para depor.
Os mandados de prisão são contra os seguintes vereadores: Maria Luisa de Jesus do Nascimento (Luizinha), Antônio Silva Feitosa, Antônio Barbosa Sousa, Ozeas Gomes Teixeira, Francinildo Lopes Soares (Nildo Lopes), Angela Maria Silva (Angela do Rapadura), Marcos Pereira de Alencar (Marquim da Igreja), Wagner Mariano Uchôa (Vaguim do Hospital), Edvan Neves Conceição e Antônio José Queiroz dos Santos. Este último está foragido.
O outro lado
A advogada Cássia Cayres atua na defesa dos vereadores Antônio Silva Feitosa, Antônio Barbosa Sousa, Ozeas Gomes Teixeira, Angela Maria Silva, Francinildo Lopes Soares e Edvan Neves Conceição, disse que eles usaram o direito constitucional de ficarem calados porque a defesa não teve acesso ao processo. Após que tiver acesso ao processo tomará as medidas cabíveis.
O advogado Fábio Alcântara atua na defesa dos vereadores Maria Luisa de Jesus (Luizinha) e Wagner Mariano Uchôa (Vaguim do Hospital). Ele disse que os vereadores ficaram calados e que não teve acesso aos autos do processo, mas assim que tiver entrará com pedido de habeas corpus. Ele considerou a ação da polícia desproporcional.
Escutas telefônicas mostram os vereadores de Augustinópolis cobrando o “extra” para aprovar projetos












