Governo extingue Delegacia Regional de Araguatins, que passará a fazer parte da regional de Tocantinópolis

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018 às 09:05
Foto: Divulgação

Alan Milhomem / Portal Voz do Bico

ARAGUATINS – O Governo do Tocantins publicou, na noite dessa quarta-feira (5), os nomes dos novos delegados regionais e extinguiu a Delegacia Regional de Araguatins, que foi incorporada à Delegacia Regional de Tocantinópolis e será comandada pelo delegado Tiago Daniel de Morais, que havia sido exonerado e retornou ao comando da regional de Tocantinópolis.

Além de Araguatins, o Governo do Tocantins também extinguiu as delegacias regionais de Alvorada, Pedro Afonso, Arraias e Miracema. Elas foram fundidas com outras regionais. A Delegacia Regional de Araguaína, principal foco da polêmica, será comanda por Vladmir Bezerra de Oliveira, que estava lotado em Tocantinópolis desde setembro de 2017. Ele faz parte do grupo que assumiu as funções após o último concurso da Polícia Civil.

A lista com os nomes dos novos delegados regionais foi divulgada após as polêmicas exonerações em novembro, que foi encarada pela categoria como uma tentativa de interferência do governo em investigações envolvendo a família do deputado estadual e aliado do governo, Olhynto Neto. Após as demissões, a cúpula da Secretaria Estadual de Segurança Pública pediu demissão. O delegado Bruno Boaventura, que abriu uma investigação contra a família do parlamentar, segue trabalhando em Araguaína, agora na Delegacia Especializada em Investigações Criminais (Deic).

Veja os nomes dos delegados nomeados:

Delegacia-Geral da Polícia Civil: Rossílio Correia

Diretor de Polícia da Capital: Raimundo Claudio de Paula Batista

Delegacia Regional de Araguaína: Vladmir Bezerra de Oliveira

Delegacia Regional de Tocantinópolis/Araguatins: Tiago Daniel de Morais

Delegacia Regional de Gurupi/Alvorada: Alcindo Augusto Celestino de Souza

Delegacia Regional de Porto Nacional: Pedro Henrique Félix Bernardes

Delegacia Regional de Guaraí/Pedro Afonso: Adriano Carrasco dos Santos

Delegacia Regional de Paraíso/Miracema do Tocantins: Bruno Monteiro Baeza

Delegacia Regional de Colinas: Olodes Maria Oliveira

Delegacia Regional de Dianópolis/Arraias: Márcio Duarte Teixeira.

Nota de repúdio

O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Tocantins (Sindepol) divulgou nota de repúdio contra a extinção das delegacias regionais e disse que é “mais um ato de perseguição e ingerência política do Governo do Estado do Tocantins contra a Polícia Civil”.

“No dia 16 de novembro de 2018 os Delegados Regionais de todo o interior foram dispensados de suas funções. Os Delegados Regionais são responsáveis por gerir a rotina administrativa da Polícia Civil no interior, o que significa atuação em gestão de pessoas, patrimônio, solução de demandas urgentes, organização dos trabalhos e coordenação e suporte de operações decorrentes de nossa atividade-fim”, destacou a nota.

Conforme o sindicato as demissões dos delegados aconteceram “como forma de perseguição política depois que a família do Deputado Olyntho Neto se tornou alvo de investigação no escândalo do lixo hospitalar. Ainda segundo o Sindepol, “tal medida prejudicará sobremaneira o trabalho da Polícia Civil do Tocantins, posto que temos um estado com dimensões continentais e haverá cidades que ficarão mais de 400 km distantes da sede de sua Delegacia Regional. Hoje, com a publicação do DOE, fica claro o desrespeito do governo do estado para com a Polícia Civil, os Delegados de Polícia e toda a sociedade”, afirma a nota.

Veja a nota na íntegra:

 Nota de Repúdio

O Sindicato dos Delegados de Polícia Civil do Estado do Tocantins – SINDEPOL/TO, no desempenho de suas atribuições estatutárias, vem a público repudiar mais um ato de perseguição e ingerência política do Governo do Estado do Tocantins contra a Polícia Civil.

No dia 16 de novembro de 2018 os Delegados Regionais de todo o interior foram dispensados de suas funções. Os Delegados Regionais são responsáveis por gerir a rotina administrativa da Polícia Civil no interior, o que significa atuação em gestão de pessoas, patrimônio, solução de demandas urgentes, organização dos trabalhos e coordenação e suporte de operações decorrentes de nossa atividade-fim.

É de conhecimento público o fato de que essas dispensas ocorreram como forma de perseguição política depois que a família do Deputado Olyntho Neto se tornou alvo de investigação no escândalo do lixo hospitalar. Pois bem, hoje, um dia depois de ser instaurado inquérito policial contra o próprio Deputado, o Governo do Estado do Tocantins resolve publicar no Diário Oficial o novo organograma da Polícia Civil, sem retornar os Delegados Regionais que foram dispensados no dia 16 de novembro e ainda reduzindo de 13 para 8 as Delegacias Regionais de Polícia no Interior.

Tal medida prejudicará sobremaneira o trabalho da Polícia Civil do Tocantins, posto que temos um estado com dimensões continentais e haverá cidades que ficarão mais de 400 km distantes da sede de sua Delegacia Regional. O SINDEPOL enviou ofício para o Delegado Geral de Polícia na ultima segunda-feira, 03 de dezembro, justamente falando sobre a importância da manutenção das 13 Delegacias Regionais e da recondução dos Delegados Regionais dispensados em novembro (SGD 2018/31009/066217).

No dia 23 de novembro de 2018, o Secretário da Segurança Pública, Heber Fidelis, esteve na sede do Sindicado dos Delegados de Polícia do Estado do Tocantins e participou de nossa Assembleia Geral Extraordinária. Na ocasião o Secretário solicitou aos Delegados que apoiassem a escolha dos nomes do atual Delegado-Geral, Subsecretário da Segurança e Diretor de Polícia da Capital, nos garantindo que os escolhidos teriam autonomia para escolher os nomes dos demais ocupantes de cargo de gestão da Polícia Civil e se comprometeu ainda que essa equipe formaria uma gestão de transição entre o atual modelo e a Polícia Civil do Estado do Tocantins autônoma.

Hoje, com a publicação do DOE, fica claro o desrespeito do governo do estado para com a Polícia Civil, os Delegados de Polícia e toda a sociedade. Resta demonstrado também que nunca houve real intenção de reforma administrativa na Polícia Civil, mas tão somente a vontade de dificultar os trabalhos da Polícia Judiciária.

É justamente contra esse tipo de comportamento que lutamos. Queremos uma Polícia Civil autônoma, que possa investigar crimes sem importar quem sejam os criminosos. Somos Polícia de Estado, querem nos fazer uma polícia de cabresto, não conseguirão. Em todo o país a sociedade clama por uma mudança profunda de paradigmas, por um rigoroso combate à corrupção que historicamente prejudica nosso povo em seus direitos mais básicos. A população do Tocantins pode contar com o trabalho de seus Delegados de Polícia Civil no cumprimento desta missão.

Palmas – TO, 05 de dezembro de 2018.

Mozart M Macedo Felix

Presidente do SINDEPOL-TO

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