Onça caça jacaré de 2 metros e mostra ‘determinação de mãe’ para alimentar os filhotes

terça-feira, 26 de outubro de 2021 às 16:31
Onça ataca jacaré no Pantanal Foto: Julius Dadalti para o PAGE NOT FOUND

O fotógrafo Julius Dadalti, especializado em cliques da vida selvagem, diz ser fã da “força da natureza”. E um exemplo disso foi registrado por ele em recente viagem ao Pantanal. Julius voltou a se encontrar com uma onça batizada de Ague (fantasma, em tupi-guarani), que ele classifica como uma amostra de “determinação de mãe” para cuidar dos filhotes. Com toda a ferocidade que a natureza lhe confere.

“Estive no Pantanal no fim de maio e meados de junho. Em duas expedições consegui fotografar a onça-pintada batizada como Ague (fantasma em tupi-guarani), que acabara de ter dois filhotes. Ainda muito escondidos na mata, eu não consegui encontrá-los. Acompanhei várias tentativas de caça da linda mãe que, apesar de um pouco magra, esbanjava beleza. Sempre próxima à barra do rio Piquiri, Ague permanecia tranquila nas margens e posava literalmente para fotógrafos e pescadores”, relatou ele com exclusividade ao PAGE NOT FOUND.

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Alguns meses depois, o reencontro tão aguardado:

“Ao retornar à região de Porto Jofre no fim de setembro eu voltei a encontrar Ague. Desta vez mais forte e ávida para a caça. Ainda bem, porque ela tinha que oferecer algo sólido a seus filhotes praticamente todos os dias. Eles foram batizados de Açu e Curumim. Embora estejam saudáveis, um é bem maior que o outro, já despertando preocupações dos amantes das onças.”

Durante os quinze dias que permaneceu navegando nos rios São Lourenço, Piquiri e Três irmãos, Julius encontrou Ague algumas vezes nadando, patrulhando a mata e tentando caçar. Um dos episódios, diz o fotógrafo, foi marcante:

“Não tenho dúvida que a cena que presenciei no dia 6 de outubro de 2021 tenha sido umas das mais fortes que já vi em ambientes naturais. Não só pela caçada e força demonstrada, mas pelo dever de cuidado, do amor absoluto e incansável de uma grande mãe.”

Julius estava em expedição acompanhado de dois outros fotógrafos, Fred Sotero e Marcelo Rocha, do biólogo Gustavo Gaspari e do guia e dono de pousada Aílton Lara. Eles navegavam pelo rio Piquiri.

“Lá pelas 15h, após o nosso almoço com quentinhas a bordo da lancha Serelepe, recebemos um sinal de rádio do piloteiro Pio, avisando que havia uma onça no entroncamento do São Lourenço com o Piquiri. Vandi, nosso piloto, tratou de acelerar e em 15 minutos já estávamos frente a frente com a pintada. Acompanhamos a uma distância segura a onça observar um jacaré-do-pantanal de mais de dois metros, deitado e completamente alheio ao que acontecia. Após uns vinte minutos de observação minuciosa, astuta, calculando cada detalhe, Ague saiu da mata em disparada e saltou sobre o jacaré, que embora tentasse lutar, não era páreo para a mordida poderosíssima do felino.”

Ague dominou o réptil com feroz imposição de força:

“Retirado da água, o réptil ainda tentava reagir, mas logo foi morto. Após descansar alguns minutos, ela atravessou o rio com o jacaré na boca, demonstrando mais uma vez a força e disposição de uma mãe. Após esconder a caça no mato, Ague foi procurar seus filhotes. Vocalizando várias vezes, logo achou Açu, o maior dos irmãos. Ainda procurando o outro, a onça demonstrava inquietude e irritação. Continuou chamando-o e resolveu então atravessar para a outra margem, desta vez em companhia de Açu. Após sumirem na mata, surgiram após alguns minutos, na clareira do rio São Lourenço, Ague, Açu e Curumim. Era hora de atravessar de volta à praia onde foi escondido o almoço.”

“Eu e meu grupo acompanhamos essas cenas durante uma hora e quarenta minutos aproximadamente e ficamos completamente emocionados com o amor e a força demonstrados pela grande mãe. Nos dias seguintes ainda passamos pela região, observando mãe e filhotes vez por outra largarem a comida para refrescarem-se no rio Piquiri”, finalizou o carioca.

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