Por que Victor Gruen se arrependeu de ter criado os shoppings?

terça-feira, 9 de novembro de 2021 às 15:07
Victor Gruen. Foto: Los Angeles Conservacy.

O arquiteto austríaco Victor Gruen, criador do shoppings centers, diz ter se arrependido de inventá-los. Nascido em 18 de julho de 1903, em Viena, o homem emigrou para os Estados Unidos em meados de 1938 para escapar do domínio dos nazistas no país. Na América, a princípio, ele ajudou a projetar as famosas vitrines de vidro; contudo, à medida que a Segunda Guerra Mundial caminhava para seu desfecho, ele começou a se sentir insatisfeito com os amplos subúrbios que eram construídos para abrigar as famílias dos soldados que retornavam da batalha.

Pensando em desarticular o padrão de vida em que ninguém se encontrava, Gruen decidiu criar um lugar onde seus vizinhos pudessem conversar, passear e desfrutar um pouco do tempo livre sem ter que ir para o centro da cidade.

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O conceito do shopping, antes de qualquer coisa, surgiu como uma praça moderna da cidade, que seria um pátio interno cercado por lojas, mas também escolas, residências e centros médicos. Haveria fontes de água elaboradas, instalações de arte, locais para comer e árvores. Um local perfeito para se reunir, socializar e morar.

No entanto, o governo tinha planos mais ambiciosos para o empreendimento.

Inaugurado em 8 de outubro de 1956, na cidade de Edina (Minnesota, EUA), o Southdale Center foi o primeiro shopping center projetado por Gruen. Na época, ele era exatamente como o arquiteto havia idealizado: cercado pela esperança de que se transformasse em uma comunidade integrada. Para tanto, até os estacionamentos foram instalados longe do empreendimento para encorajar as pessoas a deixarem seus automóveis e caminhar em meio às lojas.

Southdale Center. Foto: Business Insider.

O conceito rapidamente ganhou o gosto do público e do governo, se espalhando por todo o país e pelo mundo, incorporando ideias cada vez mais ambiciosas sobre os espaços, adicionando características que são tão familiares para nós atualmente.

Contudo, para o desgosto do idealista Gruen, nenhum deles se transformou no tipo de comunidade unida que ele havia imaginado. Poucos shoppings integraram os centros comunitários ou as casas que o arquiteto havia planejado, muito embora o crescimento populacional ao redor deles tenha florescido, exatamente como ele imaginara.

Então, o maior pesadelo de Gruen se tornou realidade: seu projeto começou a separar as pessoas em vez de unir, bem como ele havia previso no futuro se não decidisse agir para tentar impedir isso. O shopping se tornou um mero centro de comércio que visa o consumo e fazer as pessoas olharem cada vez mais para si mesmas, e não para as outras.

“Muitas vezes sou chamado de ‘pai’ do shopping”, disse o arquiteto, em 1978, de acordo com o Quartz. “Eu gostaria de aproveitar esta oportunidade para negar a paternidade de uma vez por todas. Eu me recuso a pagar pensão alimentícia para aqueles empreendimentos bastardos. Eles destruíram nossas cidades”.

(Megacurioso)

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