
História de superação, fé e perseverança leva filhos da cidade a cargos de destaque no serviço público nacional
AUGUSTINÓPOLIS – Foi publicada na última sexta-feira, 1º de agosto de 2025, no diário oficial do MPTO, a nomeação do promotor de justiça, augustinopolino, Rhander Lima Teixeira, 36 anos, para o Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO), sua terra natal. Rhander, que já exerceu o cargo de promotor no Acre e atualmente atua no Ministério Público do Pará, retorna agora ao estado onde nasceu e se formou, coroando uma trajetória de superação construída ao lado dos irmãos Dioghenys Lima Teixeira e Helder Lima Teixeira, igualmente bem-sucedidos em suas carreiras jurídicas.

Nascidos e criados em Augustinópolis, cidade do Bico do Papagaio com pouco mais de 18 mil habitantes, os três irmãos, Rhander Lima Teixeira, Dioghenys Lima Teixeira e Helder Lima Teixeira, são filhos de Izabel Lima Teixeira e José Alves Teixeira. Desde cedo, trilharam juntos o caminho da educação pública: frequentaram o ensino fundamental na Escola Estadual Augustinópolis, o ensino médio no Colégio Manoel Vicente de Souza e cursaram Direito na Universidade Estadual do Tocantins (UNITINS), no próprio campus de Augustinópolis.
O que poucos sabem é que o percurso universitário dos irmãos foi marcado por grandes desafios — em especial, por sua firme decisão de não prescindir da fé. Adventistas do sétimo dia, religião que guarda o sábado como dia sagrado, eles se depararam com uma dura realidade: o curso de Direito era noturno, com aulas de segunda a sexta, e frequentemente também aos sábados pela manhã. A partir do pôr do sol da sexta-feira, os irmãos se abstinham de qualquer atividade secular, conforme sua crença.
Sem a proteção da legislação atual (a Lei n.º 13.796/2019, que assegura o direito de alunos faltarem por motivos religiosos), os irmãos recorreram a um requerimento administrativo solicitando o abono das faltas por motivo de consciência religiosa. O pedido foi indeferido.
Diante da negativa, os três jovens decidiram conversar com os professores individualmente. A primeira tentativa foi dura: a docente foi ríspida e chegou a dizer que o Direito “não era para eles”. Segundo colegas, a professora inclusive os apelidava com deboche de “os três porquinhos”. No entanto, o destino tomou outro rumo: aquela professora acabou se afastando e foi substituída por um professor mais sensível, que já os conhecia e propôs a compensação das faltas com atividades extras.
Mesmo assim, o desafio continuava. “Falei para os meus irmãos que se a gente dependesse da boa vontade dos professores, poderíamos demorar sete ou oito anos para concluir o curso”, conta Rhander. Foi quando, vasculhando o regulamento interno da UNITINS, encontrou uma brecha: a possibilidade de aproveitamento extraordinário — um mecanismo que permite antecipar a conclusão do curso para alunos que tivessem cumprido 80% da carga horária, não tivessem nenhuma reprovação e mantivessem média acima de 90 pontos.
O trio se dedicou como nunca. Buscavam alternativas com os professores, cursavam matérias de verão e não mediam esforços. Ao final do 8º semestre, haviam alcançado todos os requisitos. Foram os primeiros alunos da UNITINS a solicitarem o aproveitamento extraordinário. A universidade demorou a estruturar o processo, mas no início do 10º semestre, os irmãos foram submetidos às provas finais — e passaram. Concluíram o curso em apenas 4 anos e meio, antes mesmo de seus colegas de turma.
A trajetória acadêmica foi apenas o começo. Dioghenys Lima Teixeira, o irmão do meio, é atualmente Procurador do Distrito Federal, já tendo atuado como procurador do município de Campo Grande–MS e do Estado de Mato Grosso do Sul. Helder Lima Teixeira, o mais novo, é promotor de justiça no Tocantins e já atuou como defensor público no Pará. E agora, Rhander, o primogênito, retorna ao seu estado de origem como promotor de justiça — levando na bagagem a fé inabalável, a experiência acumulada em três Ministérios Públicos diferentes e o orgulho de suas raízes.

“Tudo começou em Augustinópolis. Essa cidade nos deu base, valores e força para enfrentar tudo o que veio depois”, resume Rhander.
A história dos irmãos Teixeira é, sem dúvida, uma inspiração para os jovens de Augustinópolis e de todo o Tocantins: mostra que é possível vencer, mesmo quando tudo parece conspirar contra. Com fé, união familiar e esforço contínuo, três filhos da terra abriram portas que antes pareciam inalcançáveis — e agora retribuem à sua origem com serviços prestados à justiça e à sociedade.
(Redação Voz do Bico – Texto: Rhander Lima Teixeira)












