Pesquisa sobre juventudes rurais do Bico do Papagaio tem lançamento nesta quinta-feira

terça-feira, 13 de outubro de 2020 às 15:28
Diagnóstico revelou que juventude quer ficar no campo, mas falta a efetivação de políticas públicas. Imagem: Divulgação/APA-TO.

BICO – Jovens rurais do extremo norte do Tocantins conheceram mais da sua própria realidade através da construção do Diagnóstico das Juventudes Rurais do Bico do Papagaio. O resultado da pesquisa será lançado em um vídeo animado e uma cartilha, no próximo dia 15, a partir das 19h, no canal do YouTube da organização Alternativas para a Pequena Agricultura no Tocantins (APA-TO).

A agricultura é a principal atividade no território do Bico do Papagaio, segundo a organização. “Há muito tempo as organizações e os movimentos sociais do território têm a preocupação da sucessão rural. No trabalho com as juventudes, buscamos dados, mas o que conseguimos eram mais nacionais, não tínhamos informações da região. Então, achamos que era pertinente entender melhor as juventudes do Bico, o que estavam pensando, quais seus desafios. E isso motivou a fazer o diagnóstico”, explica Selma Yuki Ishii, coordenadora do projeto Juventude e Agroecologia em Rede, da APA-TO.

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O diagnóstico levantou e analisou informações relativas às condições e modos de vida das juventudes, com o objetivo de encontrar lacunas e potencialidades para a construção de estratégias de ação para as juventudes rurais. Participaram 245 adolescentes e jovens quilombolas, assentados da reforma agrária, quebradeiras de coco babaçu, agricultores familiares e sem terra, além de familiares dos jovens, professores da Escola Família Agrícola e lideranças de organizações e movimentos sociais.

Para Jorge Luis Roberto Lima, de 23 anos, do acampamento Padre Josimo (Carrasco Bonito), o processo de construção do diagnóstico foi um grande aprendizado. “Com a pesquisa, a gente pôde conhecer mais a realidade das outras juventudes, porque cada território é uma experiência diferente. E percebemos que a gente tem algo muito em comum, que é enfrentar as dificuldades de acesso aos direitos e às políticas públicas”, afirma o jovem, que também é estudante de Serviço Social, integrante da iniciativa GT das Juventudes Rurais do Bico e militante.

Jovens de uma das comunidades rurais. Foto: Divulgação/APA-TO.

Resultados

A maior parte dos jovens entrevistados são de famílias que trabalham na terra e se revelaram grandes defensoras e disseminadoras da agroecologia. No entanto, a maioria não sente que seu trabalho é reconhecido e valorizado e muitas vezes este é considerado apenas uma ajuda para a família. Entre as juventudes rurais do Bico do Papagaio, existe um forte desejo de permanecer no campo, representando 72% dos entrevistados. Ainda, 18% afirmaram não saber se desejam ou não permanecer; e somente 10% disseram não querer ficar no meio rural.

Na voz das próprias juventudes, os fatores que incentivam a permanência no campo são: sentimento de pertencimento, poder participar dos espaços de decisão, melhorar a relação entre jovens e adultos, maior aceitação por parte dos pais, avós e lideranças dos interesses dos jovens, melhores condições de vida com políticas públicas, escoamento da produção, cursos de agroecologia, renda própria, maior controle sobre o próprio tempo, acesso à terra e espaços de lazer.

Lançamento

Todo o resultado do diagnóstico foi sistematizado em um vídeo e uma cartilha, com a técnica da relatoria gráfica, com o objetivo de contribuir para a partilha desse conhecimento sobre a realidade local com outros jovens. O lançamento, no dia 15 às 19h, será no canal do YouTube da APA-TO, no Encontro de Lançamento da Pesquisa sobre as Juventudes Rurais do Bico do Papagaio, e contará com a participação de jovens do GT das Juventudes Rurais do Bico do Papagaio e das organizações realizadoras.

“Vamos construir o encontro esperando ter a maior participação de pessoas possíveis, em especial dos jovens. Vamos fazer de uma forma dinâmica e que seja inclusiva, que dê pra todo mundo se sentir no momento, tentando reproduzir o máximo como se fosse no presencial”, explica Jorge Luiz, uma das vozes que narra o vídeo.

(Assessoria)

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