Cometa que pode ser o mais brilhante dos últimos 15 anos se aproxima da Terra

segunda-feira, 27 de maio de 2024 às 16:22
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Foto: Kev por Pixabay

No início de 2023, dois programas de observação astronômica – Tsuchinshan e ATLAS – descobriram de forma independente o cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS). Este objeto promete ser um espetáculo no céu, visível a olho nu nos últimos meses deste ano, sendo possivelmente o cometa mais brilhante desde da passagem do McNaught (na foto acima), em 2007.

Na noite de 22 de fevereiro de 2023, um telescópio do grupo ATLAS na África do Sul detectou um objeto tênue a 1,09 bilhões de km de distância, na Constelação do Serpentário. Inicialmente, este corpo havia sido registrado no Observatório de Zijinshan, na China, em janeiro, mas foi considerado perdido por falta de observações de rastreamento.

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Com a redescoberta pelo ATLAS, o Minor Planet Center (organização americana que centraliza os dados de asteroides e cometas descobertos no Sistema Solar) reconheceu ambos os programas como codescobridores do cometa, nomeando-o C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS).

Imagens do Zwicky Transient Facility (ZTF), no Observatório Palomar, na Califórnia, também capturaram o objeto, confirmando sua natureza cometária. Essas capturas revelaram uma coma densa e uma pequena cauda, com apenas 10 segundos de arco.

Imagens do Cometa C/2023 A3 (provisoriamente chamado de A10SVYR) registradas em observatórios remotos no Chile e Austrália. Créditos: Filip Romanov

Previsões para o cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS)

A órbita do cometa foi calculada com base em dados de 74 dias de observação. Ele segue uma órbita hiperbólica e retrógrada, com uma inclinação de 139° em relação ao Plano da Eclíptica. Seu periélio, ou seja, a maior aproximação ao Sol, ocorrerá em 27 de setembro de 2024, quando passará a 58,5 milhões de km do astro.

Quando se fala em uma órbita retrógrada significa que o cometa viaja na direção oposta à dos planetas em torno do Sol. Já a trajetória hiperbólica sugere que este cometa provavelmente se originou na distante Nuvem de Oort e fará uma única passagem pelo Sistema Solar interno antes de ser lançado para o espaço interplanetário.

Em 12 de outubro, o Cometa Tsuchinshan-ATLAS fará sua maior aproximação da Terra, a cerca de 70,8 milhões de km. Neste dia, ele será visível no início da noite, durante o crepúsculo. Se as previsões mais otimistas se concretizarem, ele poderá ser visto a olho nu e proporcionará um espetáculo no céu.

Segundo o site astro.vanbuitenen.nl, que monitora cometas em atividade, os cálculos iniciais sugerem que C/2023 A3 poderia atingir uma magnitude de 1.7 no dia da máxima aproximação, similar a algumas das estrelas mais brilhantes. Observações mais recentes indicam que a magnitude pode chegar a 0.7. Na escala de magnitude estelar, quanto menor o número, maior o brilho.

Órbita do Cometa C/2023 A3 (Tsuchinshan-ATLAS) no momento de sua máxima aproximação com a Terra. Crédito: Reprodução ssd.jpl.nasa.gov

Durante sua máxima aproximação, dependendo da quantidade de gás e poeira que o cometa liberar, poderá ocorrer um fenômeno óptico chamado “espalhamento frontal”. Isso acontece quando a luz solar é refratada pelas partículas de poeira do cometa, aumentando seu brilho em até 4 magnitudes, o que pode torná-lo 40 vezes mais brilhante.

Se isso ocorrer, o Cometa Tsuchinshan-ATLAS poderá brilhar mais intensamente que o Cometa Lovejoy em 2011, tornando-se o cometa mais brilhante dos últimos 15 anos.

Embora as previsões sejam promissoras, cometas são notoriamente imprevisíveis. Vários fatores podem afetar a visibilidade do Cometa Tsuchinshan-ATLAS. Se o objeto tiver baixa atividade cometária, ele pode não brilhar tão intensamente. Além disso, se contiver mais gelo do que poeira, seu brilho pode ser menor do que o esperado. A pior situação seria a desintegração do cometa ao se aproximar do Sol devido à pressão do gelo sublimando em seu interior.

Novas observações devem refinar dados do objeto

À medida que novas observações forem feitas, será possível ajustar as previsões e ter uma ideia mais clara do comportamento do objeto. Espera-se que o Cometa Tsuchinshan-ATLAS proporcione um dos mais belos fenômenos astronômicos já vistos a olho nu, marcando uma geração.

Cometas que vêm da Nuvem de Oort, como o Tsuchinshan-ATLAS, muitas vezes têm composições ricas em gelo e poeira. Quando se aproximam do Sol, o calor faz com que esses materiais sublimem, criando as caudas brilhantes que tornam os cometas tão espetaculares. Se o Tsuchinshan-ATLAS tiver uma quantidade significativa de poeira, ele poderá refletir a luz solar de maneira espetacular, aumentando ainda mais seu brilho.

Astrônomos de todo o mundo estão monitorando o cometa de perto, usando uma variedade de telescópios e instrumentos para coletar dados adicionais. Esses dados ajudarão a refinar as previsões sobre o brilho e a visibilidade do cometa. Observatórios amadores e profissionais estão todos de olho no Tsuchinshan-ATLAS, esperando captar imagens detalhadas e dados que possam nos ajudar a entender melhor este visitante celeste.

Para os observadores casuais, a expectativa é que o cometa seja visível a olho nu em áreas com pouca poluição luminosa. O uso de binóculos ou telescópios amadores poderá proporcionar uma visão ainda mais detalhada do cometa, com sua coma brilhante e cauda se estendendo pelo céu.

Portanto, marque no calendário: outubro de 2024 promete ser um mês memorável para os amantes da astronomia e para qualquer pessoa que aprecia as maravilhas do céu noturno. Prepare-se para olhar para cima e testemunhar um dos eventos mais espetaculares que o cosmos tem a oferecer.

Redator(a)

Jornalista formada pela Unitau (Taubaté-SP), com Especialização em Gramática. Já foi assessora parlamentar, agente de licitações e freelancer da revista Veja e do antigo site OiLondres, na Inglaterra.

(OLHAR DIGITAL)

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