Aterro S.A.

quarta-feira, 14 de junho de 2023 às 14:53
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*Por Angelo Cavalcante

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Um aterro sanitário é uma tecno-empresa. Só pode existir se toda esquadrinhada e tecnificada a partir de normas e regulamentações nacionais e internacionais.

Sua função, é claro, é ambiental. É concebida para destinar resíduos, sobretudo, sólidos, a lugares e funções possíveis, previamente definidas e em favor da qualidade e resguardo do meio ambiente e da nossa própria e sofrida vida urbano-rural.

Que dimensões deve ter ou possuir?

Isso depende da coleta ou prospecção de resíduos; depende do nível de coesão dessa política com a própria comunidade. Em outras letras, sem educação ambiental a envolver indivíduos, famílias, empresas e órgãos públicos, o aterro vira apenas um amontoado vil e repulsivo.

Será, no entanto, na alta fluência de uma educação ambiental adequada, ativa e dinâmica que o aterro fará coleta, classificação, acondicionamento e o comércio de todo esse material.

Com esses recursos se investe em modernização para o mesmo aterro, usinas são construídas, novos equipamentos são adquiridos e a “empresa verde” passa a empregar mais, a mobilizar bem mais ao ponto de fazer e construir culturas.

Isso mesmo…

Não é o fazer pelo fazer… Mas é um fazer visando construções afetivas e culturais em torno da correta gestão ambiental.

O aterro sanitário estabelece dezenas de pontos de coleta e espraiados por toda a cidade; remunera educadores ambientais e famílias para o dispositivo fundamental da coleta e separação desses materiais.

Na verdade, uma ampla rede de serviços é constituída, ativada, energizada. Bem sabemos que casas, prédios, galpões e escritórios são usinas de consumo, logo, geradoras de um sem-número de descartáveis.

Esse é, enfim, o foco e o objetivo de um aterro sanitário operante, moderno e que atua a partir de estratégias, métodos e objetivos muito bem definidos: coletar cem por cento de todos os resíduos cosméticos e usuais da cidade visando educar, sensibilizar e transformar sentidos e percepções humanas buscando futuro e integridade homem/natureza.

Finalmente, isso e que equivocadamente chamamos de “lixo” pode virar renda, trabalho, emprego, atividade social e, o melhor, qualidade de vida.

Esse bom ambiente sócio-urbano gera efeitos diretos no comportamento individual e coletivo, desmorona neuroses, combate a miséria e a pobreza, estabelece uma tal qualidade humana centrada na retomada dos nossos ativos ambientais; em sua medida e subliminarmente o homem urbano é reinventado e refeito porque, ao fim, poderá respirar, sentir a natureza, sua potência e profusão, poderá finalmente, sentir e saborear da própria natureza e da sua infinita existência.

É de VIDA que estamos tratando.

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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