Como as dependências financeira e afetiva impedem as vítimas de violência de denunciarem

segunda-feira, 28 de setembro de 2020 às 15:28
Foto: Reprodução/Brasil de fato.

Apesar de os registros de denúncias de violências contra mulher responderem por altos índices nas estatísticas, além de ser a principal causa de feminicídio no Brasil e no mundo, o que se nota ainda é a culpabilização da vítima, bem como as relações de dependências emocionais e financeiras, mitos, preconceitos e comportamentos sexistas que levam à subnotificação desse tipo de violência de gênero.

Nesse sentido, a Secretaria de Estado da Cidadania e Justiça (Seciju) divulgou informações para esclarecer alguns comportamentos e motivos da relação da vítima e da família com o agressor que a impede de denunciar. O objetivo é sensibilizar e despertar, na sociedade, o comportamento de prevenção e de enfrentamento a esse crime, auxiliando a vítima a quebrar o ciclo da violência e buscar ajuda.

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De acordo com a gerente de Políticas e Proteção às Mulheres da Seciju, Flávia Martins, a dependência é um dos fatores que encadeiam outros impedimentos para a quebra do ciclo de violência. “A maioria das mulheres não denunciam seus agressores por ter uma grande dependência, tanto financeira como psicológica e emocional. Existe o medo de recomeçar e se manter sozinha, às vezes não acredita que é possível reconstruir a vida. Com isso, ela acaba se submetendo a viver com seu agressor mesmo sofrendo essas violências, mas é muito importante buscar ajuda profissional para conseguir se desvincular desse ciclo de violência em que vive e encontrar força em si mesma”.

Subnotificação

De acordo com o Instituto Maria da Penha, as mulheres estão expostas a vários tipos de violências, podendo ser física, moral, psicológica, sexual e patrimonial, praticadas de maneira isolada ou não.

Além disso, um balanço de 2019 da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) apresentado pelo Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, revelou que as agressões estão diretamente relacionadas aos companheiros, cônjuges e ex-companheiros das vítimas.

Esse retrato mostra que, por vezes, as vítimas não denunciam seus agressores por diversos fatores que vão desde o envolvimento emocional, a dependência financeira (especialmente quando há filhos); relacionamentos abusivos no quais as vítimas têm dificuldade de reconhecer determinadas posturas como agressivas, em especial quando não há violência física; e a falta de credibilidade dada às mulheres ao trazerem à tona a violência, consideradas muitas vezes a responsável por provocar a agressão.

Por vezes, o agressor aprende a manipular as emoções da vítima, tornando o ciclo difícil de quebrar. Assim, a busca por ajuda profissional, com psicólogo e psiquiatra, é o caminho mais fácil para evitar que a mulher continue no relacionamento. Entender que qualquer relação amorosa (principalmente se for prejudicial) pode ser desfeita é fundamental.

Onde procurar ajuda

Os casos urgentes devem ser denunciados imediatamente à Política Militar, no número 190; para orientações e apoio, as mulheres podem procurar a Central de Atendimento à Mulher, por meio do 180; o Disque Direitos Humanos, no número 100; o Ministério Público do Estado do Tocantins, no 0800. 646. 5055; e o site do Ministério dos Direitos Humanos.

(Secom)

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