Como deveríamos selecionar os representantes políticos no Brasil?

sexta-feira, 8 de setembro de 2017 às 12:20
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*Por Anderson Nunes de Carvalho Vieira

Escândalos de corrupção. Partidos e Políticos fraudulentos. Desvio de dinheiro público. Já estamos acostumados com essas manchetes nos jornais. No entanto, em 2018 estaremos novamente passando por mais um período eleitoral de proporções nacionais, ou seja, eleições para Presidente da República, Governadores dos Estados, Senadores e Deputados Federais e Estaduais. Iremos rever novamente figurinhas carimbadas no meio político assim como também novas que surgirão. Veremos as mesmas propostas de sempre, as “mentirosas” melhorias na saúde, educação, segurança, infra-estrutura, economia, etc.

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Neste período surgem os mesmos partidos de sempre com as mesmas ideologias e propostas e junto com eles o surgimento de novos partidos para servirem de massa de manobra para os com mais expressão nacional. Aí vem a velha pergunta: Seria o brasileiro que não sabe votar ou não existem opções políticas para se votar? Ambos os questionamentos mostram a precariedade social e política que vivemos atualmente.

Mas essa precariedade não seria nossa própria culpa como eleitores passivos que não nos esforçamos para transformar o sistema político atual? Que realmente não lutamos por uma Reforma Política? Você realmente acredita que só fazer passeatas, caminhadas, greves, depredações e pichações seria o suficiente para transformar um sistema político corrupto, mal organizado, oneroso e ocioso que existe no Brasil atualmente?

Não estamos muito passivos quando nossas crianças estudam em escolas públicas sucateadas, ensino de péssima qualidade enquanto os filhos dos “nossos representantes” estudam nas melhores escolas particulares do país?

Não estamos muito acomodados quando temos que enfrentar longas filas para receber atendimento nos Postos de Saúde e Ponto Socorro Público enquanto “nossos representantes” são atendidos nos melhores hospitais do país com plano de saúde pago com o dinheiro dos impostos que você e eu pagamos?

Não estamos muito passivos quando somos assaltados todos os dias e infelizmente perdemos nossos entes queridos que estavam voltando para casa depois de um dia cansativo de trabalho enquanto “nossos representantes” andam em carros blindados, seguranças particulares 24 h e a proteção da guarda nacional ou do exército brasileiro?

Não estamos muito descansados quando saímos para trabalhar e temos que pegar um transporte coletivo lotado e totalmente sem condições de transporte humano, quando trafegamos em ruas esburacas, sem sinalização e tomadas de sujeira enquanto “nossos representantes” moram nos melhores bairros de nossas cidades, desfilam com os melhores veículos automotores e onde com certeza a limpeza urbana na porta de sua residencia sempre está em dias?

Não estamos muito compreensivos quando pagamos altos impostos ao governo – para alimentar as regalias de “nossos representantes” – quando recebemos um salário mínimo de R$ 937,00 e brigamos para receber auxílio alimentação e transporte em detrimento dos:

  • Presidente da República: R$ 26.723,13
  • Ministros de Estado: R$ 26.723,13
  • Senadores: 26.723,13
  • Deputados Federais: R$ 26.723,13
  • Governadores de Estados: R$ 16.512,09
  • Deputados Estaduais: R$ 16.512,09

Sem falar nas verbas indenizatórias de R$ 15.000,00 e Verbas para gabinete de R$ 39.545,22?

Não estamos muito inertes quando vamos procurar emprego com nosso currículo debaixo do braço ou quando almejamos um emprego público e temos que despender horas e horas de sono para estudar em prol de uma carreira pública enquanto “nossos representantes” muitas das vezes não possuem nem qualificação para desempenhar o cargo que exercem – que é o mínimo de formular ou executar as leis?

Em se tratando de qualificação, você acha mesmo justo “nossos representantes” ter o direito de serem considerados candidatos somente por serem popularmente conhecidos? Por possuírem uma filiação partidária? por terem condições financeiras superiores a da maioria da população? Isso é justo, moral e ético? Enquanto a maioria esmagadora dos meros mortais brasileiros para conseguir um emprego e para ganhar um ou dois salários mínimos precisam ralar para passar em concursos ou sair batendo de porta em porta com seu currículo debaixo do braço? Acha correto parlamentares fazerem de suas vidas política um cabide de emprego ou uma profissão vitalícia e sem nenhuma forma de controle produtivo? Possuir a estabilidade de um servidor público e o salário de um empresário?

Não seria mais justo que cada cidadão que se prontificasse a ser candidato a qualquer cargo político se submetesse primeiramente a um concurso público – seja ele para nível fundamental, médio ou superior – independentemente de já ser “nossos representantes” e figurinhas carimbadas no meio político? Assim sendo aprovados em concurso público como qualquer mero mortal no Brasil, poderiam ser candidatos concursadosdisponíveis para receber os votos da população conforme o cargo que pleitearam, através da avaliação de suas competências? Por que quando eles querem nos selecionar para trabalhar em órgãos públicos temos que fazer provas e concursos e eles – os “nossos representantes” não precisam? Isso é Democracia Representativa? Certeza?

O apadrinhamento político no Brasil, o nepotismo e a ideologia oligárquica das capitanias hereditárias sempre existiram na política, enquanto isso eu e você pagamos altos salários para essa cúpula ocupar os melhores a mais bem remunerados cargos públicos no Brasil, que eram para ser temporários, mas que acabam sendo vitalícios e hereditários amparados por um nepotismo enrustido.

Você já se perguntou porque o presidente de bairro, o presidente do Centro Acadêmico de seu curso ou o presidente do Diretório Central de Estudantes de sua Faculdade não recebem salários e o presidente da República, o Presidente do Partido recebem?

O pior é que da forma como está a existência de incompetentes nos cargos públicos só tendem a aumentar. Não é exigido pelos eleitores um político com conhecimentos profissionais, técnicos e muito menos com conhecimento de níveis médio ou superior, fazendo com que exista uma enorme incompetência nas ações desses “nossos representantes” que já não fazem quase nada em favor da população. Tudo acaba recaindo sobre os ombos de sua “equipe de governo”. Ou seja, o político é só a figura, pois quem está por trás de suas ações é um técnico da área.

Como alguém que alcança o poder sem ao menos ter estudado, sem conhecimento técnico ou empírico para desempenhar uma função tão importante como ser o representante de uma determinada parcela do povo pode ser um bom governante? Seria o mesmo que entregar empresas multinacionais e grandes chefias de cargos públicos a pessoas totalmente incompetentes para administrar e sem conhecimento algum.

Concurso público temporário para candidatos a cargos políticos já! Se todo ser humano é avaliado pelo que fez e pelo conhecimento que tem, porque “nossos representantes” também não podem ser avaliados da mesma forma?

Enquanto estivermos numa população onde “nossos representantes” não sabem nem mesmo interpretar e escrever um texto – isso quando sabem ler – estiverem dando ordens e formulando leis para doutores e pós-doutores que passaram mais de 1/3 de suas vidas estudando para ganhar muito, mas muito menos mesmo que “nossos representantes” o Brasil será essa anarquia governamental que conhecemos. A política não foi feita para servir de trampolim social (um pobre andarilho ou operário que se tornou presidente). Ela foi feita para funcionar em prol de uma sociedade.

Ah! mas isso é tecnocracia. Sim! Democracia Tecnocrata. O povo vota nos candidatos que realmente são preparados, não naqueles que dizem ser.

Anderson Nunes de Carvalho Vieira, Bacharel em Ciências Econômicas (2013) e Mestre em Agronegócios e Desenvolvimento Regional (2015) ambos pela Universidade Federal de Mato Grosso – UFMT.

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