Condenar pobres e absolver ricos: pau que bate em Chico não atenta contra Francisco

quarta-feira, 18 de outubro de 2017 às 16:55
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*Por João Tomaz Sobrinho Neto

Desde a última eleição presidencial assistimos calados as mais variadas demonstrações do excesso de faltas do Poder Judiciário. O Poder que mais faltou com os Brasileiros, segundo muitos. A justiça tem deficiência visual, mas tem olfato, tato e sentimentos para com a injustiça.

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Enquanto enterramos o pouco de dignidade política, jurídica e social que ainda possuíamos, a grande mídia e a sociedade média se debruçaram sobre assuntos tanto quanto polêmicos… é ou não é arte? Existe cura gay? E a transexual grávida da novela das 9…

Enquanto isso, ouvimos, entre as chamadas dos noticiários, malas de dinheiro andando ou descansando em apartamentos. Compras e vendas de congressistas (que logo, logo, estarão estampados nos melhores Shoppings Centers de sua metrópole engarrafada preferida) e aos pobres, cortes: nos direitos trabalhistas, previdenciários, sociais, culturais…

E a culpa é nossa. Nossa enquanto sociedade estagnada e impossibilitada de andar com suas próprias pernas, que não pensa com sua própria cabeça que não vive de acordo com suas próprias convicções, povo que precisa de se ver representada por Movimentos ilegítimos e parciais para sair as ruas e reivindicar o mínimo: dignidade! Culpa da justiça que não vê a “Justiça” mas sente os anseios dos políticos corruptos.

Negar que o Poder Judiciário legitimou todos os golpes da nossa história é não ser honesto o suficiente para reconhecer que precisamos de uma mudança profunda no sistema judiciário brasileiro.

Condenar pobres e absolver ricos, pau que bate em Chico não atenta contra Francisco. Obedece, se humilha, rasteja. Não é Poder é incapacidade. Não é independente é vinculado. Em mais de 500 anos de história, contada por portugueses, nunca tivemos um judiciário que ostentou a independência, a celeridade, a Justiça e a ética.

Vestes talares são incapazes de esconder nossa vergonha de ser desonestamente esculpidos por um sistema fadado ao fracasso. Um sistema que passou longe dos ideais de nossa república e consequentemente da nossa constituição que se pretendeu ser “cidadã”.

E o problema está em como prendemos e soltamos ladrões de galinha? Ou se ensina que o problema está nas mais altas instâncias do poder público ou, desde já, desistimos do Brasil esculpido pela Constituição, pela Democracia e por nosso povo honesto e gentil.

Por João Tomaz Sobrinho Neto, Discente do oitavo período do Curso de Direito, da Universidade Federal de Goiás na Unidade Acadêmica Especial de Ciências Sociais Aplicadas da Cidade de Goiás.

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