Dia dos pais chegando e o abraço na saudade

quinta-feira, 8 de agosto de 2024 às 09:22
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Foto: StockSnap por Pixabay

*Por Angelo Cavalcante

Tendemos a racionalizar tudo ou quase tudo… E abobalhadamente, acreditamos piamente de que isso nos salvará das lástimas do existir.

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Pois sim… Isso, de algum modo, nos protege, nos acalma e tranquiliza; não por menos… Superamos convenções, questionamos tradições e redefinimos olhares e perspectivas. Nessa construção nos colocamos a infinitamente relativizar um mundaréu de coisas.

Ao fim dessa reconstrução de signos e significados, em foro íntimo e bem pessoal, dizemos, afirmamos a nós mesmos de que “estamos protegidos” dessas “bobagens mundanas”.

E vem o humorista e solta: “sabe de nada, inocente!”

Ao fim, a razão cria crenças! Embora a marcha concreta do mundo siga dura e resoluta em outra direção…

O dito dia dos pais é dessas datas, instantes e sensibilidades!

Longe de mim ficar destilando suposta erudição; erudição e que por sinal, não tenho mas, de verdade, se você possui, ainda possui seu pai… Aproveite esse dia para estar com ele.

Olha…

A vida é breve como seus instantes são muito breves… Fica com seu pai; se houver mágoa, supere; em caso de queixas, caso consiga, tente esquecer; não valorize desavenças e desencontros e busque, de alguma forma, algum tipo de unidade.

É o que resta!

Não potencialize contradições; elas existem e seguirão existindo. Foque, mire no que há em comum, naquilo que coincide… Isso é importante, sábio e inteligente.

Fique com seu pai!

Se encontrem, joguem conversa fora, sorriam, brinquem… O tempo é ligeiro e as coisas passam em tal velocidade que os miúdos e fiapentos sentidos humanos simplesmente, não possuem a menor condição de acompanhar; por isso, vale o abraço, a piada, a boa gargalhada e um dia de encantos e alegrias.

Fique com seu pai enquanto ele está por aqui porque depois… Depois fica a saudade… Só a saudade!

E nada pode ser pior do que a saudade como culpa, remorso ou arrependimento.

Há, é claro, a boa saudade e cheia, densa, recheada de boas lembranças; onde a cada “filme” que passa na sua cabeça você lembra, recorda do tipo, do jeito e dos trejeitos do seu “velho”.

E acredite… Chegará um momento em que essas lembranças te serão força e combustível contra a tristeza, a solidão, a depressão ou o inferno do Alzheimer.

Fica com seu pai! Ele vai gostar!

Não duvide… Compre um bom vinho ou umas latinhas de cerveja e passem o dia juntos jogando conversa fora; falem dos parentes, da espinhosa política brasileira, do seu time de futebol ou daquele bife acebolado e irresistível.

Faça isso…

Antes de voltar para casa, dê um abraço apertado no seu pai, sinta seu cheiro e o tamanho de sua alegria por você ter estado com ele.

Fica com seu pai… Deixa o relatório, a planilha e o contrato a ser elaborado para depois… Fique com seu pai e tenham um excelente dia!

Nas minhas andanças e em certa feita, ouvi de um sertanejo do Piauí a frase e que mexeu com meu juízo; sobre os pais, me disse esse senhor: “meu fii, para o pai, a gente deve nem que seja o feitio”.

Eu concordei!

Vejam só… Eu já não tenho meu pai… Meu pai está morto! Nunca mais o vi, nunca mais estive com ele; ele não viu meu filho…

Eu o perdi em 2020, no comecinho da pandemia de covid-19 e, desde então, o dia dos pais para mim é instante de silêncio, discrição e contemplação. Já não tenho meu pai para um abraço, uma festinha surpresa ou um farturento almoço familiar.

Assim, de verdade, se esse texto faz algum sentido para você… Pensa nisso! O dia dos pais está chegando e…

Fique com seu pai!

Feliz dos pais!

Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.

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