O ensino a distância é uma realidade à qual temos que nos adaptar

terça-feira, 28 de julho de 2020 às 17:48
Fabiano de Abreu. Foto: Divulgação.

Os tempos que vivemos são tempos de mudança. Há novas realidades a que nós temos que adaptar, novas formas de viver e de experienciar. O ensino a distância é uma dessas novas etapas que teremos que integrar nas nossas vidas.

Segundo o neurofilósofo, psicopedagogo e especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu, a pandemia da covid-19 veio mostrar que o nosso mundo tecnológico ainda apresenta falhas quando algo surge inesperadamente. No entanto, o tempo é de adaptações rápidas e eficazes.

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“Em tempos de pandemia e quarentena, vimos a necessidade repentina da inclusão educacional online. E foi então que percebemos que não estávamos tão adiantados como pensávamos. As plataformas de ensino a distância não estavam preparadas para uma mudança sem planejamento como uma chave de liga e desliga acionada com uma alavanca”, reflete.

Esta nova forma de viver condicionou toda uma sociedade, desde os alunos aos pais, aos professores e educadores. Ninguém ficou de fora. Como nos alerta Fabiano, “Essa mudança afetou uma rotina em que muitos dos pais apenas se preocupavam em levar as crianças para escola e depositar a confiança na instituição para todo o resto. Com o fechamento das escolas, o ensino online tornou-se uma realidade em que, não só a escola teve que se preparar de forma rápida e eficiente, como também houve uma necessidade de atenção dos pais para com os seus filhos”.

Ainda segundo o especialista, há mudanças que vão se transformar em aspetos positivos e outras que terão de se tornar obrigações. Fabiano começa por destacar a aproximação de pais e filhos na elaboração de tarefas conjuntas.

“Eu vejo não só alguns pontos positivos para o ensino a distância em relação ao relacionamento pais e filhos, como também uma necessidade dentro de uma realidade na qual a pandemia forçou para que nos adotássemos o quanto antes. Vou explicar os pontos em que, na minha visão, o ensino online torna-se crucial e uma realidade na qual temos que, desde já, não só nos adaptar, mas o governo deve implantar”, explica.

Nesse sentido, Abreu elabora uma lista sobre as mudanças que terão de ser analisadas e pensadas por toda a sociedade, desde a escola, o governo e o seio familiar. Segundo Abreu, o governo tem que pensar em estratégias para disponibilizar internet e computadores para todos e criar plataformas de ensino viáveis. Além disso é necessário formar os professores para esta realidade. Segundo o especialista, temos que pensar a longo prazo no caso de existirem outras pandemias. A covid-19 deve servir como uma preparação para o futuro.

As etapas necessárias então são as seguintes:

Internet para todos – Todos os países deverão se preocupar com a potência e estabilidade da internet e que ela chegue a todos. Educação online exige uma boa internet até mesmo pela questão dos vídeos, arquivos, espaço de armazenamento e transmissões como videoaula ao vivo. O governo deve não só fornecer internet gratuita, como também controlar o valor da internet no mercado, por ser um bem de necessidade pública.

Plataforma de ensino – As instituição devem se preocupar com o tipo de plataforma para as aulas online, pois a necessidade de ser 100% online já é uma realidade. A plataforma tem que ter capacidade de ter não só apostilas, arquivos em pdf, como também videoaula e transmissões ao vivo entre alunos e professores, como uma sala de aula. Também é necessário um sistema de fiscalização para o dia da prova, isso é possível quando o aluno sabe que está sendo observado. Tem como o professor conseguir ter em um mesmo plano de tela todos os alunos, basta uma tela grande que divida-os em quadrados.

Computadores para todos – É de responsabilidade do governo que todos tenham acesso a um bom computador. Não só fornecendo aos de baixa renda, mas também auxiliando na isenção de impostos para esses tipos de aparelhos eletrônicos, assim como investindo na fabricação dos equipamentos no país.

Preparação dos professores – O governo tem que acrescentar métodos para ensino a distância, nos quais o professor deve se portar de maneira diferente do presencial. Utilizar de técnicas de posicionamento de câmera em que o aluno se sinta na sala de aula e não sinta a diferença tendo que se adaptar e sim, sentir-se dentro do padrão visual ao qual está acostumado. Muitos youtubers dão boas aulas com quadros em que escrevem o que está ensinando e se posicionando de maneira que não atrapalhe a visão do aluno.

A necessidade de ser criativo e chamar a atenção do aluno também é maior. Pois há maiores chances do aluno se distrair no seu ambiente de casa. Pode passar um animal de estimação, um outro membro da família, podem ter objetos próximos que o distraiam ou até mesmo notificações no telefone que desviem a atenção. Os pais também precisam ajudar na configuração do aparelho para que diminua as possibilidades de desvio de atenção.

“Vejo vídeos de professores no YouTube que prendem mais a atenção do que muitos professores que dão aulas presenciais. Não podemos esquecer que o YouTube e vídeos na internet é algo que chama a atenção das crianças mais do que uma aula presencial. Tem que aproveitar isso e ser criativo para criar vídeos como muitos criam e têm milhares de views”, conclui o filósofo.

(Assessoria Fabiano de Abreu)

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