
*Por Angelo Cavalcante
A Americanas surgiu em 1929. Sua primeira loja foi aberta precisamente na cidade de Niterói, no Rio de Janeiro.
O nome “Americanas” não é casualidade!
Foram três sócios americanos e um austríaco – Glen Matson, James Marshall, Batson Borger (americanos) e Max Landesmann (austríaco) – que tiveram a iniciativa de abrir seu comércio, em princípio, na Argentina – Buenos Aires – e não no Brasil.
Foi um sucesso!
Mesmo no final de 1929 a empresa já possuía quatro novas lojas.
A idéia, a “sacada” do negócio; melhor dizendo, do seu bom e oportuno marketing à época, era o bordão “menos de 2 mil réis”… Inspirado em estratégia exitosa do comércio varejista dos Estados Unidos.
Atualmente, a Americanas possui mais de 1.700 lojas e espalhadas por todo o país além de operar com várias plataformas de comércio eletrônico como a ShopTime e a Submarino.
Seu “crash” público se deu precisamente no dia 11 de janeiro desse ano quando analistas contábeis identificaram inconsistências graves em seus registros e balanços e que chegavam a vinte bilhões de reais.
No aprofundamento das análises, em verificação mais detida e sincera percebeu-se que a coisa era bem pior… E a empresa registrava rombos e negativos comprovados e mensurados que tilintavam na gigantesca cifra de quarenta bilhões de reais.
Em outros termos, a empresa deve e deve muito… Deve desde bancos como Bradesco, Santander e Banco do Brasil passando por empresas alimentícias como a Nestlé e sites como o Facebook.
Para maiores informações, verificar na 4a. Vara Empresarial do Rio de Janeiro com seu já protocolado calhamaço de quase oito mil credores e que, receosos e incrédulos, estão a ver navios na espera por seus respectivos pagamentos.
Bom… É pedra gritada e cantada desde os anos de 1920/1930 quando o economista bretão John Maynard Keynes afirmou categoricamente que “o mercado deixado a própria sorte não caminha para nenhum tipo de equilíbrio. Ao contrário…”.
O enunciado de Lorde Keynes se fez matéria viva e concreta e habitou dentre nós!
Não tem jeito… A Escola Regulacionista dos franceses vai decodificar que a “Era de Ouro” do capitalismo (1945 – 1973), período com muito crescimento econômico, estabilidade e elevados níveis de produtividade fora justamente o resultado combinado, sobretudo, de investimentos públicos e muito – MUITO – monitoramento, regramento, fiscalização e “olho” nos grandes do capital.
Sem isso… O crescimento de então, teria feito água turva em seus três primeiros anos.
Nem sei dizer mas, penso eu, que há algo de muito errado com o ensino da Economia.
Como… Me digam…
…Como três malandros ricos, sem nenhum compromisso com o desenvolvimento da Pátria, envolvidos com golpes e sabotagens da economia nacional, uma gente que odeia – ODEIA – o povo brasileiro; moradores finos e requintados nas altas e elaboradas quadras de Genebra, no lindo país suíço ou em outra destacada altura europeia dão as cartas, sem regulações, mediações ou controles mínimos, nessa que é das maiores redes de varejo da América Latina?
Não era a esfera pública o ventre de todos os males do mundo da economia? Estamos a ver as narrativas e discursos de liberais de todo o planeta derreterem a olhos nus.
Algum consolo para nós, os caboclos dessa terra, é que Lula é presidente do país e está vendo o que se passa!
História é TUDO!!
Angelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Itumbiara.
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