Rebaixamento

quinta-feira, 16 de setembro de 2021 às 09:26

*Por Leonicio S. Silva

“A revista ‘Time’ deixou o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro, de fora da lista das 100 pessoas mais influentes do mundo em 2021, divulgada nesta quarta-feira (15)”.

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Porque para ser influente, no sentido genuíno da palavra, é preciso ter inteligência emocional. Saber lidar e falar com as pessoas, respeitar o ponto de vista divergente, Fazer a autocrítica quando a crítica é bem fundamentada. Saber aprender com os outros quando opinam de forma diferente. Não se vitimizar diante dos discursos e não agir sempre na defensiva, como se estivesse sempre com a plena razão. E essa virtude ele não tem.

Porque, para ser influente, é preciso ter empatia com o sofrimento alheio, principalmente nas grandes tragédias. Mas enquanto o vírus se alastrava mais e mais, matando mais e mais, ele estava preocupado apenas com o andamento da economia, para que os preços dos alimentos não subissem, para que a inflação de um modo em geral não disparasse tanto. E adiantou de que? Morreram mais e mais, por falta de uma política clara e fundada em critérios científicos, liderada, pincipalmente por ele. E a inflação passou a alcançar números exorbitantes. Empatia, isso ele não tem.

Porque, para ser influente, é preciso ensinar e liderar pelo comportamento. De integridade, de respeito, de compaixão, de pacificação. Um líder ensina mais pelo que faz do que pelo que fala. Mas ele, ele ensina a quebrar regras, normativas, a acreditar em medicamentos de eficácia nunca comprovada, a espalhar fake news, a desrespeitar as autoridades e os poderes instituídos democraticamente. Bons exemplos, ele não tem.

Porque, para ser mesmo influente, é preciso ser justo, começando até mesmo de dentro da própria casa. Um pai justo nunca pode dissimular os erros dos filhos. Nunca pode tentar impedir de que eles respondam pelos seus atos, para que, só assim, possam, quem sabe, tornarem-se homens de integridade um dia. Os filhos dele têm participação corrupta na política e nas coisas, e o pai, com todo aparato de poder que lhe foi concedido, tenta mascarar os fatos. Muitas vezes vale a máxima “tal pai, tal filho”. E a virtude da justiça, ele não tem.

Porque, para ser influente, é preciso ter sabedoria. Não só a adquirida nos livros das bibliotecas, mas também nas páginas da vida. A sabedoria que sabe entender os fatos e propor a melhor solução deles. Ele foi um soldado tacanho, um deputado inexpressivo, que caiu de paraquedas em um momento de carência emocional da sociedade, e, se aproveitando do nome de Deus, (há tantas bestialidades no mundo em nome de Deus), despontou como uma alternativa política. Mas nunca teve um projeto de sociedade, uma bandeira de luta, nos vários anos de vida pública. Sabedoria, ele não tem.
Porque, para ser influente, é preciso ser verdadeiro e não proferir mentiras diante de todos, como se todos fossem um bando de tolos. Negando os fatos reais e comprovados por meio das técnicas científicas e dos aparelhos tecnológicos. Como negar que a flora queima, que os bichos morrem, que os rios racham. Contra fatos não há argumentos. Apenas os da mentira. Verdade, ele não tem.

Porque, para ser influente, é preciso ser simpático. A simpatia consiste em relacionar-se bem com as pessoas, em saber falar das coisas sem criar piada, em ter sensibilidade da condição do outro, principalmente dos grupos minoritários que já sofrem tanto. Consiste em saber afagar com um sorriso, em saber erguer com um aperto de mão. Simpatia, ele não tem.

Porque para ser influente, é preciso ser comunicativo. E a boa comunicação consiste em saber discorrer sobre os assuntos com um mínimo de entendimento, e, principalmente, usar um vocabulário adequado, educado e correto. Em respeitar a língua, em controlar a língua, em transmitir boa aparência nas palavras e dizer coisas que os outros ouçam com amabilidade. E isso, ele não tem.

Por essas e por outras questões não foi colocado nem entre os 100 mais influentes do planeta. O chefe de uma grande nação como o Brasil, um país colossal, amado mundialmente, de grande importância política, econômica e cultural no mundo, não tem a capacidade de transmitir uma imagem boa da sua pátria. Para atrair o encantamento dos povos. Para fazer o país crescer muito mais como uma marca comercial. Para gerar bom gosto.

Ao contrário, transmite a imagem do retrocesso legislativo, do aparato de guerra e de ódio, da disseminação da mentira pela mentira, do poder centralizado para a defesa de interesses escusos dos seus aliados. Transmite a imagem de um país vítima de um golpe. Briga nas mídias com as liberdades de imprensa. Briga com aqueles que também têm poder. Quase que governa pelas redes sociais, como se esses veículos fossem seus instrumentos oficiais de governabilidade.

Mas, pera aí. Se a Revista Time o deixou de fora do rol de influentes, deve ser essa revistinha uma petista assumida. Claro, só pode ser. Se no ano passado ele estava na lista, porque esse ano não? Porque foi rebaixado?

Ah. Fica clara uma coisa: se é contra ele, deve ser a favor daquele outro de nove dedos. Essa revistinha não tem respaldo, credibilidade, transparência. É uma piada. Vamos invadir a Revista, promover uma quebradeira, porque ela não serve como veículo. Ela é uma inimiga da nação.

Apenas o que e quem é a favor dele presta, tem valor. Qualquer outro ou outra coisa contrária, é uma m…, porra!!!!

Leonicio S. Silva é agente da Polícia Civil em Augustinópolis.

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