*Por Davino Lima
O governador Marcelo Miranda está no Japão discutindo acordos com o grupo multinacional Mycom – líder mundial na área de refrigeração industrial. Em busca de investimentos em “tecnologia” e na garantia de um mercado exterior, o Tocantins oferece terras, água e mão de obra barata. Toda a atividade econômica do Tocantins a nível internacional (e possivelmente dentro do Brasil também) é voltada para a produção agrícola. O que não é essencialmente ruim. O ruim é o modo como isso ocorre.
Diferente do Japão, que após o colapso da segunda guerra se reergueu investindo em tecnologia, educação e industrialização, o Brasil continua seguindo os passos de sua época colonial, plantando e criando animais de forma inconsequente e pouco produtiva. E antes que o aspecto da produtividade seja questionado, é preciso reconhecer que com toda a tecnologia que é aplicada na produção agrícola, ainda não existe, nem de longe, sustentabilidade. A praticidade vinda com a revolução verde não significa, portanto, uma real potencialização da produção e do uso dos recursos naturais.
Assim, o Tocantins segue a cartilha de todo o Brasil, que já vem sendo chamado pela bancada ruralista, com tom de glória, de o “celeiro do mundo”. Desta forma, quando se pensa no Tocantins, em especial, parece ser visualizado apenas uma grande faixa de terra cultivável, sem pudor ou escrúpulos, uma vez que não se mede consequências para o seu uso indiscriminado. O capital intelectual, as pessoas, enfim, que aqui vivem, não seriam capazes de mais e melhor? Talvez, mas até hoje nenhum governante se quer cogitou que o Tocantins não é uma grande fazenda (alguém precisa avisar isso a eles), mas um Estado, culturalmente diverso e que nele existe um povo intelectualmente capaz, além de existir também uma natureza finita, que precisa ser pensada com cuidado para evitar males futuros.
A questão que fica, por fim, é que talvez o estado do Tocantins e todo o Brasil, não estariam hoje em situação melhor que o Japão após a retaliação Americana do fim da Segunda Guerra Mundial? Por que então não se teria outras opções a não ser, sempre e sempre, bancar o feudo, fadado quase que por designação divina, a uma única perspectiva econômica?
Mas para isso seria preciso, antes de tudo, que, a exemplo do Japão, no Brasil também se investisse em educação, tecnologia e industrialização (verdadeira, não o modelo meramente servil adotado até então), o que parece estar longe de acontecer.
Davino de Lima, jornalista, pesquisador em comunicação e filosofia.












