Três casos suspeitos de ‘doença da urina preta’ são investigados no Pará

sábado, 11 de setembro de 2021 às 10:16
Quando contaminados, pescadores podem ter relação com “doença da urina preta” — Foto: Marcelo Moreira/Rede Amazônica

Mais um caso suspeito da Síndrome de Haff, conhecida como “doença da urina preta”, é investigado pela Secretaria de Estado de Saúde Pública do Pará (Sespa). A última notificação ocorreu em Trairão, no sudoeste do Pará, informou a Sespa no início da tarde desta sexta-feira (10).

Segundo o Ministério da Saúde, a doença de Haff é causada por uma toxina que pode ser encontrada em determinados peixes como o tambaqui, o badejo e a arabaiana ou crustáceos (lagosta, lagostim, camarão). Quando o peixe não foi guardado e acondicionado de maneira adequada, ele cria uma toxina sem cheiro e sem sabor que contamina quem consome o pescado.

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A Secretaria e a prefeitura de Trairão não divulgaram detalhes sobre o estado de saúde do paciente, nem há quanto tempo a pessoa teria ingerido pescado e apresentado os sintomas. Além da suspeita em Trairão, outro paciente foi internado com suspeita da doença em Belém. Em Santarém, onde houve o primeiro caso suspeito no estado, um homem morreu enquanto estava internado.

De acordo com a pesquisadora Rosália Furtado Souza, coordenadora do curso de Engenharia de Pesca da Universidade Federal Rural da Amazônia (Ufra), há várias suposições que precisam ser pesquisadas para que se descubra o que está causando o problema.

Pode ser contaminação do rio, por exemplo, por dejetos humanos, dejetos da indústria, que propicia a proliferação da algas que serve de alimentação para os peixes”.

Os casos registrados no estado têm se concentrado na região do baixo Amazonas, que encontra-se no período de estiagem, quando há redução do volume na renovação da água nos ambientes naturais permitindo a proliferação de algas, o que pode ter propiciado a aparição da toxina, segundo a pesquisadora. “A contaminação pode ser também no manuseio do pescado, que é mal acondicionado sem as condições adequadas de conservação, que também precisa ser investigado. Há várias suposições que necessitam de pesquisa e análise para que se descubra o que está ocasionando essa contaminação”, diz.

O Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde (CIEVS) aguarda análise de materiais coletados dos pacientes e dos pescadores para saber se os casos são ou não de Síndrome de Haff. O prazo para o resultado não foi informado.

Inspeção sanitária

Peixaria em Vitória do Xingu, no PA — Foto: Reprodução / Prefeitura Municipal de Vitória do Xingu

Na cidade de Vitória do Xingu, sudoeste do Pará, o consumo de peixes do rio Amazonas foi suspenso. No oeste do estado, alguns municípios emitiram alertas sobre o consumo.

Segundo a Sespa, os municípios têm sido orientados para que aumentem a fiscalização e reforçou que a possível proibição de comércio ou consumo cabe às cidades.

“A Sespa orienta os municípios aumentar a atenção à inspeção sanitária dos locais de venda e sobre a importância do acondicionamento correto do pescado. […] A proibição, liberação do consumo de pescado ou bloqueio é de responsabilidade de cada município”, informou a secretaria em nota.

A síndrome está associada ao consumo de peixes como arabaiana, conhecido como olho de boi, badejo, tambaqui ou crustáceos (veja vídeo acima publicado após casos em Pernambuco). A doença é causada pela ingestão de pescado contaminado por uma toxina capaz de causar necrose dos músculos.

Outros sintomas da doença são decorrentes desse quadro, como dores e rigidez no corpo, dificuldade de respirar e a urina escura, e podem aparecer entre 2h e 24h após o consumo.

“A hidratação é fundamental nas horas seguintes ao aparecimento desses sintomas”, detalha a Sespa.

“A Secretaria informa que em caso de sintomas é necessário buscar atendimento imediatamente na rede pública de saúde do município”, orientou a Secretaria estadual de Saúde em nota.

(G1 PARÁ)

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