“Ninguém me toma essa candidatura”, afirma Paulo Mourão

terça-feira, 26 de dezembro de 2017 às 11:30
Deputado estadual Paulo Mourão (PT). – Foto: Internet

O deputado estadual pelo PT, Paulo Mourão, concedeu uma entrevista exclusiva para o VB Notícias, onde fala sobre sua pretensão de se tornar governador do Tocantins, conta um pouco da sua trajetória e explica os motivos e preocupações que tem como possível candidato.

Essa entrevista é a primeira de uma série que será publicada ao longo desta última semana do ano. O objetivo foi conversar com políticos da região do Bico do Papagaio e do Tocantins como um todo, para fechar o ano de 2017 com uma reflexão sobre o cenário político que vivemos atualmente.

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Veja agora na íntegra como foi a nossa conversa com Paulo Mourão.

 De que forma o senhor, como pretenso candidato ao governo do Estado, reage aos nomes cotados hoje para a disputa eleitoral no ano que vem?

O país vive hoje uma crise sem lideranças políticas, e isso também se repete no nosso Estado”. Eu vejo que os candidatos, em geral, são bons nomes, por isso espero que nessas eleições a gente consiga manter um nível de debate adequando. Então eu enxergo que o momento é oportuno para que a gente faça um diagnóstico, não só sobre o que já foi feito e conquistado, mas acima de tudo sobre os equívocos que levaram o estado a uma situação tão deprimente quanto essa que nós vemos hoje, com tantas denúncias e tantos líderes políticos envolvidos em escândalos. Além de tudo isso, é preciso nos atentarmos ao cenário, que é agudíssimo, da crise econômica.

E eu acredito que hoje a população já possui maturidade suficiente para escolher quem melhor convier para o Estado na situação que vivemos. Por isso eu aposto muito no nosso projeto pretende juntar a comunidade e construir um projeto vindo das necessidades reais da população. Isso para evitar, por exemplo, que um secretário que nem conhece o Bico do Papagaio planeje ações para o Estado, sem esse conhecimento.

Quais foram os resultados e as conclusões que se conseguiu com o Cenovo (Comissão Especial de Estudo para o Novo Ordenamento Econômico, Administrativo, Social e Político do Estado) ?

Acima de tudo pudemos ver uma população desesperançada com a classe política. Por outro lado as pessoas tem esperança de que algo novo possa acontecer e de que o Estado é viável e eu concordo. Você observe, que apesar da crise, o Tocantins ainda consegue manter uma taxa de crescimento razoável. O problema é a gestão que está errada, que terá um aumento nas despesas que equivale ao dobro desse crescimento.

E uma coisa que eu observei em todos os municípios que nós visitamos é  o fato de não existir na maioria deles uma economia organizada de forma produtiva. O Estado concentra muito a sua riqueza. Nos identificamos que os polos de desenvolvimento do Tocantins ainda continuam sendo apenas três: Palmas, Araguaína e Gurupi. Somente esses três municípios arrecadam 35% do ICMS do Estado.

Por isso precisamos desenvolver políticas que estimulem outras regiões a se desenvolverem, como o Bico do Papagaio com cidades polos como Araguatins e Augustinópolis.

Dentre os principais problemas vivenciados observado pela Cenovo nos municípios o que o senhor pode destacar?

Do ponto de vista ambiental, vimos uma preocupação muito grande em relação às bacias hidrográficas. Os rios estão secando. Há um problema muito sério em várias cidade em que o abastecimento de água está cada vez mais complicado. Muito produtores sem água para plantar ou dar para os animais. Isso está acontecendo de norte a sul do estado. Não são pontualidades, mas um realidade geral.

Já em relação à economia, as pessoas estão muito preocupadas em relação a renda, aos postos de empregos. Algo que, apesar da crise nacional, o Tocantins tem condições de reverter, desde que a gestão seja realizada de forma preparada e organizada.

Outro ponto importantíssimo, que eu como político não posso ter medo de falar, é o combate aos privilégios. São poucos ganhando muito e muitos ganhando quase nada. Há uma desigualdade terrível que precisa ser revertida de alguma forma. É preciso haver sensibilidade para mudar esse quadro.

E como nós podemos resolver todos esses pontos?

Eu acredito na educação. É meu lema. Uma coisa terrível e que eu não concordo por exemplo, é com políticos indicando diretores de escola. Político não pode fazer isso. Uma escola só pode ter política educacional, se não nunca teremos qualidade de ensino. E sem qualidade no ensino não vamos conseguir desenvolver a região. A educação é o principal direito humano. Sem a educação, os outros direitos são comprometidos.

Como candidato ao cargo de Governador, levando em conta o amadurecimento que o senhor teve ao longo da sua vida política, o que o senhor traz de novo em suas propostas?

Essas forças ocultas, que sempre vedam a minha candidatura, me fizeram amadurecer. Se você não se lembra, já me tomaram o PSDB, depois eu já lancei duas vezes a minha candidatura ao Governo pelo PT e houve intervenção, para que eu não saísse candidato. Mas como sou temente a deus, eu sei que esse é meu momento e ninguém me toma essa candidatura, pois eu serei o governador do Tocantins. E sobre isso, eu posso te dizer que hoje eu sou uma pessoa mais amadurecida. Esse processo de aprendizado me fez melhor e perder as vaidades. Acumulei muito conhecimento, aprendi muito mais sobre o estado e me tornei mais sensível com esse momento tão difícil por falta de compromisso com esse povo. E por isso eu vou fazer coisas que que nenhum dos governadores que nós já tivemos conseguiram implantar, porque eles trabalharam sempre encima de vaidades e o meu projeto, por sua vez, será encima das necessidades dos cidadãos.

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