Oito crianças morreram no Tocantins este ano por falta de cirurgias de cardiopatia

quinta-feira, 12 de julho de 2018 às 11:55
Mães procuram ajuda na defensoria para conseguir tratamento. Foto: Divulgação / DPE-TO

Redação Voz do Bico*

PALMAS – Dados da Central de Atendimento em Saúde da Defensoria Pública do Tocantins (DPE-TO) mostram que, somente neste ano, oito crianças morreram pela demora da realização da cirurgia de cardiopatia, sendo que algumas não conseguiram sequer a transferência. Outras foram transferidas, mas a cirurgia se tornou tardia e vieram a óbito após o procedimento cirúrgico.

No Tocantins não são realizadas cirurgias cardíacas em crianças, necessitando de Transferência Fora de Domicílio (TFD). Porém, devido à demora, muitas crianças não resistem à espera. Foi o que aconteceu com o bebê João Miguel, de sete meses, que morreu no último dia 22 no HGP.

“Eu nunca pude sequer pegar o meu bebê no colo, pois a situação dele era muito delicada. Foram sete meses de muito sofrimento, aguentando descaso atrás de descaso no Hospital. O médico alertou do risco, a Defensoria reforçou sobre a urgência, mas só o que faziam era dizer que a gente tinha que esperar”, declarou a mãe, Raquel Bezerra, que procurou a DPE para dar entrada ao pedido de indenização.

Assim como no caso de João Miguel, uma menina de dois anos de idade morreu em maio deste ano, após um pós-operatório da cirurgia cardíaca, que foi realizada tardiamente, devido à demora do cumprimento da decisão judicial. Conforme os dados da Central, em todos os processos havia decisão judicial para que o Estado providenciasse o atendimento, promovendo a transferência dos pacientes para outra unidade da Federação.

Segundo a Secretária de Saúde, o Estado está em fase de finalização de um convênio com o Hospital da Criança de Goiânia para o atendimento aos pacientes do Tocantins. A realização do convênio é em cumprimento de uma determinação judicial, do mês de maio, que atendeu reivindicações da DPE-TO e do Ministério Público Estadual (MPE) determinando que o governo do Estado, em um prazo de 12 meses, organize o serviço de assistência às crianças com quadro de cardiopatia congênita,

Em maio deste ano, o Poder Judiciário também estabeleceu um prazo de 90 dias para que o Poder Público Estadual apresente um projeto de reorganização do serviço.

(*Com informações da Assessoria)

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