Por que preciso ler Cumulonimbus?

quarta-feira, 25 de junho de 2025 às 08:10
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*Por Francisco Sulo.

A vida não é só o oba-oba e poder contemplar as cinzas significa que se sobreviveu ao fogo. Aliás, é bastante esclarecedor que Manuel Bandeira tenha nomeado seu primeiro livro de A cinza das horas, ele um tísico condenado à morte nas primeiras décadas de vida mas que sobreviveu para reunir sua poesia lúgubre sob aquele rótulo apoteótico. Diferentemente do cronograma ordinário do calendário civil, no calendário dos poetas o Carnaval sempre sucede às cinzas – e não o contrário.

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Dentro da noite veloz, livro de um poeta exilado (Ferreira Gullar), do qual somente li alguns poemas constantes de uma breve antologia, é, juntamente com A cinza das horas de Manuel Bandeira, mencionado (os títulos das obras) numa bela e melancólica música de Adriana Calcanhotto. Ela queimou no fogo da saudade a que se refere a música e espalhou cinzas ao fim da noite veloz. E essa é a beleza da vida: depois do diabo vêm os anjos – é a lição da tentação de Jesus. O ordinário não é não passar por momentos tenebrosos, mas sobreviver a eles, em que pese qualquer conclusão sobre se a vida tem propósito ou se é um comovente absurdo.

Cumulonimbus é o registro de cinzas lançadas ao mar depois do naufrágio e do socorro obtido. É ainda a percepção, talvez já amadurecida, de que as nuvens sempre voltam, sejam densas nuvens de um “tempo fechado”, conforme expressão do prof. Luiz Renato de Souza Pinto (IFMT), que fez comentários bastante gentis ao meu texto, sejam “cirros alegres pairando na atmosfera rarefeita”, conforme o verso que encerra o poema homônimo do livro.

O importante, no final das contas, é contemplar a alternância entre o sol e a chuva, o vale e o cimo, o dia e a noite.

Adquira Cumulonimbus e compartilhe dessa experiência catártica.

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