Amastha nega ser pré-candidato, mas fala do Bico em plano de governo para 2018

quinta-feira, 16 de novembro de 2017 às 18:00
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Amastha e seu taxi elétrico: o prefeito da capital tem utilizado do veiculo pelas ruas da capital pegando aleatoriamente moradores com quem conversa sobre diversos assuntos, inclusive ouvindo reclamações e opiniões. – Foto: Paulo Palmares

“Sobre o que fazem com o Bico, eu diria que é o pior exemplo da política, levada no seu pior sentido”, conta o, sempre polêmico, prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PSB), sobre a política tocantinense em entrevista exclusiva ao VB Notícias.

Seguindo a linha de reportagens estreada com o também cotado ao Executivo estadual, ex-juiz Marlon Reis (Entrevista primeiro bloco) (Entrevista segundo bloco), o VB Notícias, conversou com o prefeito de Palmas sobre possíveis soluções para as principais demandas e apreensões da comunidade do Bico do Papagaio.

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Amastha se colocou como alternativa ao que ele chama de velha política, e se disse confiante em novos rumos para a economia e a gestão pública no Tocantins.

Veja a entrevista na íntegra

VB – A sua gestão em Palmas recebeu certa aprovação da população, visto que o senhor foi reeleito. O senhor pretende repetir isso no estado, caso concorra nas próximas eleições como candidato à governador? As mesmas táticas seriam eficazes quando se trata de uma gestão estadual e não municipal?

Amastha – Não podemos colocar as coisas nesses termos, pois eu não sou candidato, nem pré-candidato ainda. Mas acredito que com gestão, com projetos e com respeito à coisa pública, é absolutamente possível fazer. Se o Brasil quebrou, se o Tocantins quebrou e se Palmas está com suas contas em dia, isso deve significar alguma coisa sobre panorama político e gestão eficiente.

Eu estou muito satisfeito com o que conseguimos fazer por Palmas até agora. Mas eu queria muito ter sido prefeito durante um processo de crescimento econômico do país, pois aí sim, eu poderia ter feito muito mais.

Apesar disso, hoje temos em Palmas, a melhor educação e a melhor saúde de todas as capitais brasileiras, ressalvando que, Palmas, é a única capital brasileira que universalizou coleta e tratamento de esgoto.

Desse modo, é válido dizer que, se foi possível em Palmas é possível em todo o Estado.

VB – O Bico do Papagaio, como qualquer região, possui suas peculiaridades. A região, normalmente, começa a ser visitada as vésperas das eleições, sempre com muitas promessas. Apesar disso, hoje temos várias obras e projetos importantes abandonados há anos. Caso o senhor um dia chegue ao Governo estadual, qual seria sua postura diante dessa situação?

Amastha – Nós já estamos trabalhando em um plano de Governo, não necessariamente meu, mas de um grupo, para ser implantado a partir de 2018. E uma coisa que me deixou muito satisfeito é que, antes de começarmos a corrida para a reeleição em 2016, nós fizemos questão de juntar todo o secretariado e pegar todo o material de campanha de 2012 e pontuarmos o que conseguimos cumprir. E constatamos que, mais de 82% das propostas que tínhamos elaborado a gente cumpriu. Desistimos de algumas coisas, porém;  ao desistirmos, comunicamos claramente à sociedade, explicando os motivos e relatando os possíveis procedimentos de como estávamos executando o restante das demais.

Prefeito visitou a região do bico em agosto onde conversou com políticos regionais. – Foto: Paulo Palmares

VB – Sim… Mas com relação ao Bico do Papagaio?

Amastha O que eu vejo, e não é só no Bico, mas em grande parte do Tocantins, é que são cidades fantasmas. Observamos que existe uma maioria de jovens, que antes de reclamarem de saúde ou de educação, estão reclamando de oportunidades. O próprio pai que está sem um trabalho, sem uma fonte de renda, não pode oferecer uma qualidade de vida melhor para a sua família, e isso é muito triste.

Sobre o que fazem com o Bico, eu diria que é o pior exemplo da política, levada no seu pior sentido e é justamente por isso que estamos falando.

Você visita o Bico e de imediato percebe que nenhum dos projetos que foram prometidos, isto é; que seriam implantados nos últimos 30 anos, funcionou,  nenhum eu repito! Está tudo parado, é um desperdício de dinheiro público e principalmente, uma frustração exorbitante para a população.

Por isso, a gente tem que debater com a sociedade para propormos o que efetivamente deve ser implantado. E também é importante retomarmos alguns projetos que estão abandonados e que eu entendo que são importantes e precisam funcionar.

O projeto Sampaio, por exemplo, ele precisa ser concluído e começar a laborar. Não tenho o que falar mal do projeto em si, eu falo mal da execução, pois nada nunca funcionou ali.

VB – Sobre discurso de que na gestão pública não existem prioridades; o que o senhor usou na última campanha, é algo real? Podemos acreditar que dá para governar sem priorizar setores da administração?

Eu continuo dizendo que quando um gestor fala em prioridades, ele está escondendo uma enorme incompetência. Pois prioridade é a qualidade de vida dos cidadãos. E essa qualidade não vem de uma coisa específica, pois não adianta existir uma educação de qualidade se não existem oportunidades de emprego. Da mesma forma, não adianta investir em saúde, sem investir também em coleta e tratamento de esgoto. Então, é claro que existem eixos fundamentais em qualquer gestão, mas a verdadeira prioridade tem que ser cuidar do cidadão.

VB – O estado do Tocantins, mesmo com seus já 29 anos, ainda tem entre seus grupos políticos, figuras e pensamentos que vieram do antigo Goiás – desde antes da divisão dos estados. Qual a sua estratégia para enfrentar esses grupos que são enraizados e possuem algum tipo de tradição na estrutura política do Tocantins?

Amastha – Eu diria que o Tocantins tinha esses grupos, mas, não tem mais. As eleições em Palmas em 2012 e 2016 pra mim foram uma prova de que esse ciclo acabou. Faça uma conta, nesses quase 30 anos de Tocantins a gente só votou no Moisés Avelino – em uma eleição, e em todas as outras eleições só votamos em Marcelo Miranda e Siqueira Campos. Nunca tivemos outra opção, o que é um absurdo.

Também é um absurdo o que acontece no Bico do Papagaio, vários  projetos inacabados,  e quem culpa quem? “Eu comecei, o outro não terminou, mas eu voltei a ser governador e também não terminei”. Então desse jeito não vamos a lugar nenhum. A saída é fazer uma nova política, sem renegar a nossa história, no entanto, a história fica no passado e precisamos nos projetar para o futuro.

O que aconteceu em Palmas eu tenho certeza que irá acontecer no Tocantins inteiro.

VB – Atualmente o país como um todo vive um clima de descontentamento e uma busca pelo combate à corrupção e ao clientelismo. Como o senhor pretende lidar com isso a nível de Estado?

Amastha – Eu creio que nesse caso as ações falam muito mais do que as palavras. Quando  entramos na prefeitura de Palmas em 2013, o município tinha mais de 4 mil contratos, hoje nós trabalhamos com menos de 300 contratos. Pois, em torno de 94% dos servidores de Palmas hoje são concursados. O papel do Estado não é dar emprego para as pessoas e sim gerar crescimento, ser indulto do desenvolvimento.

O Estado paternalista, que quer dar tudo para as pessoas, nunca vai funcionar. O dinheiro público não é algo que cai do céu, é preciso que haja uma economia forte. Outro orgulho que temos hoje é,  dizer que Palmas é a cidade do Tocantins que mais gera empregos proporcionalmente e numericamente.

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