Corpo de Dona Raimunda Quebradeira de Coco é velado no povoado Sete Barracas, em São Miguel

quinta-feira, 8 de novembro de 2018 às 11:53
O velório é na casa onde dona Raimunda morava. Foto: Divulgação / Daniel

SÃO MIGUEL – O corpo de Raimunda Gomes da Silva, 78 anos, a quebradeira de coco e líder comunitária de São Miguel do Tocantins que ficou conhecida mundialmente como Dona Raimunda Quebradeira de Coco, é velado na casa onde ela morava, localizada no povoado Sete Barracas, zona rural do município. Amigos, parentes e moradores da região prestam as últimas homenagens à Dona Raimunda desde a noite dessa quarta-feira (8), quando ela morreu. O enterro será no fim da tarde no cemitério local.

Dona Raimunda morreu por volta das 19h10 desta quarta-feira vítima de problemas respiratórios e diabetes, doença que ela lutava há anos, inclusive tinha perdido a visão em decorrência da enfermidade. A líder comunitária esteve internada no Hospital Regional de Augustinópolis há duas semanas, onde recebeu medicação e chegou a ficar na sala semi-inetnsiva, mas depois quis retornar para a comunidade onde morava. Em casa, ela seguiu tomando a medicação repassada pelos médicos e apresentou leve melhora.

Foto: Divulgação

Nesta quarta-feira (7), Dona Raimunda piorou e chegou a ser atendida pelo médico na própria comunidade. No início da noite, ela passou mal e não resistiu. A líder comunitária morreu em casa, como sempre desejou que fosse sua morte. “Eu não quero morrer matada, quero morrer na cama, sou feita do pó da terra, e é pra lá que voltarei”, era o que Dona Raimunda sempre dizia quando era questionada sobre a morte.

A prefeita de São Miguel, Elisangela Alves, decretou luto oficial de três dias e feriado municipal nesta quinta-feira (8) no município.

Dona Raimunda ficou conhecida mundialmente por lutar em defesa dos diretos das mulheres, principalmente das quebradeiras de coco babaçu do Bico do Papagaio. Maranhense de Bom Jardim, se mudou para o Tocantins no fim da década de 70 com os seis filhos e sem marido. Em 1991 fundou, junto a outras mulheres, a Associação Regional das Mulheres Trabalhadoras Rurais do Bico do Papagaio (Asmubip). Logo, em 1992, criaram o Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu (MIQCB), que hoje é atuante nos estados do Pará, Tocantins, Piauí e Maranhão.

Devido a atuação na defesa dos direitos das mulheres trabalhadoras da região do Bico do Papagaio, recebeu o título de Doutora Honoris Causa da Universidade Federal do Tocantins e prêmios como o Diploma Mulher-Cidadã Guilhermina Ribeira da Silva (Assembleia Legislativa do Tocantins) e o Diploma Bertha Lutz (Senado Federal) concedido às mulheres que ofereceram relevante contribuição na defesa dos direitos da mulher e questões de gênero no Brasil. Em 2005, integrou a lista mundial das mil mulheres que concorreram ao prêmio Nobel da Paz.

Governo do Estado e autoridades lamentam a morte de Dona Raimunda Quebradeira de Coco

-- Publicidade --
-- Publicidade --

Comentários no Facebook