A alma do Tocantins: Suça e Terecô como expressões de ancestralidade negra

quinta-feira, 20 de novembro de 2025 às 10:03
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Grupos de suça no Tocantins celebram cultura afrobrasileira — Foto: Montagem/Flávio Cavalera/Secult/Roberta Tavares

TOCANTINS – A riqueza cultural do Tocantins é profundamente marcada por manifestações de matriz africana que resistiram ao tempo, mantendo viva a história de comunidades quilombolas e descendentes de africanos trazidos para a região do ciclo do ouro. Entre elas, a dança Suça (ou Súcia/Sússia) e o culto do Terecô destacam-se como pilares da identidade afro-tocantinense.

Suça: O Batuque, a Sedução e a Força da Comunidade

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A Suça é uma dança folclórica de forte herança africana, considerada por muitos como a dança legítima do Tocantins, especialmente nas regiões Sul e Sudeste, como Natividade, Monte do Carmo, Conceição e Paranã.

Origem e Significado: A Suça nasceu nas senzalas e nos momentos de descanso dos trabalhadores, sendo uma forma de celebração, resistência e libertação das tensões diárias. Muitos grupos também a integram em festejos religiosos do catolicismo popular, como as Folias do Divino Espírito Santo e a festa de Nossa Senhora do Rosário.

Ritmo e Movimento: É caracterizada por um ritmo contagiante e acelerado (ou “avechado”), ditado por instrumentos artesanais de percussão, como tambores de cerâmica e couro (tamborins), cuíca grande (roncador), viola e pandeiro.

Coreografia: Os dançarinos se organizam em roda, executando movimentos circulares, sapateados e batidas de palmas. É um “jogo de sedução” onde o parceiro tenta conquistar a parceira, muitas vezes com versos improvisados que falam da conquista, da vida e do dia a dia.

A Jiquitaia: A Jiquitaia é um passo ou segmento da Suça, onde os dançarinos simulam as reações a ataques de formigas bravas (como as jiquitaias, que causam coceira), transformando um incômodo em parte da coreografia, evidenciando a capacidade de transformar a adversidade em arte.

Preservação: Grupos como o de Suça Mãe Ana, de Natividade, são fundamentais na transmissão dessa tradição para as novas gerações, garantindo a sua perpetuação.

Terecô: A Encantaria, a Cura e a Espiritualidade Agrária

O Terecô é uma religião de matriz africana, mais proeminente no Maranhão (especialmente em Codó), mas com forte presença e raízes no Tocantins, onde se manifesta em seu contexto agrário.

Origem do Nome: A palavra “terecô” tem origem nos negros bantos e significa “celebrar ou comemorar com os tambores”.

Natureza e Culto: É uma manifestação religiosa que possui essencialmente a função de cura e de conexão com a natureza. Ocorre ao som de tambores, com entoação de pontos cantados e danças marcadas por giros em torno da guna (altar).

Os Encantados: O culto do Terecô gira em torno dos Encantados (entidades espirituais que não morreram, mas sim “se encantaram” e vivem na mata), como os Voduns e os espíritos da mata, frequentemente sincretizados com santos católicos. É uma religião próxima ao calendário da Igreja Católica, reverenciando os santos, mas cultuando suas entidades correspondentes.

Presença no Tocantins: No Tocantins, a manifestação está ligada às comunidades rurais e às quebradeiras de coco babaçu, sendo parte da vida e da luta dessas mulheres, muitas vezes servindo como um espaço de apoio, cura e resistência em meio a um cotidiano de dificuldades.

Ambas as manifestações, Suça e Terecô, demonstram a diversidade, a resiliência e a profunda marca cultural que o povo negro deixou e continua a deixar no estado do Tocantins.

(Redação Voz do Bico, Fonte: Gemini)

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