A gripe espanhola de 1918-19

sexta-feira, 29 de maio de 2020 às 11:01
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Francisco Sulo. Foto: Arquivo pessoal.

*Por Francisco Sulo

A pandemia que surgiu no fim da Primeira guerra mundial matou entre 50 milhões e 100 milhões de pessoas no mundo inteiro. Assim como a atual, também foi objeto de politização e acusava-se a Alemanha de a ter desenvolvido como arma de guerra. Foi o que fizemos brasileiros e os EUA na época.

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Por ter ocorrido num espaço muito curto de tempo, infectou muito rápido a muita gente e provocou a chamada “imunidade de rebanho.” Atingir tal imunidade de rebanho foi o que motivou a Suécia atualmente a descuidar do isolamento e amargar a maior taxa de mortos por milhão de habitantes nesta pandemia (mais de 6 mortes por milhão de habitantes/dia). Aqui no Brasil, ao baixo nivel de isolamento se pode atribuir como causa o negacionismo pandêmico e científico, endossado do alto do Palácio do Planalto.

A reconstituição do material genético do virus de 1918, permitida a partir do descongelamento de corpos de pessoas vitimadas pela pandemia e sepultadas próximo ao Polo Norte, propiciou o conhecimento recente de características do surto e de seus efeitos. Uma dessas características é que uma pneumonia viral progredia pra uma pneumonia bacteriana fatal em tempos pré-antibióticos. Uma outra característica é que a reação imunológica dos infectados, sobretudo os jovens adultos, era muito agressiva e danosa, a ponto de causar efeitos letais nessa faixa etária de indivíduos. “O vírus causava uma infecção grave. E o organismo reagia de forma muito agressiva. A própria reação do organismo acabava matando a pessoa.”

Rafael Cariello, editor da Piauí (164) que elaborou o texto que serve de fonte aos parágrafos acima, menciona ainda curiosidades sobre as pandemias em geral enquanto desastres que são. É comum as pessoas desenvolverem um senso de solidariedade diante de catástrofes desse tipo, sobretudo se os atingidos forem membros de composições sociais mais ou menos homogêneas, o que não é exatamente o nosso caso, seja em termos de classes ou etnicamente. No caso da pandemia de Covid-19, o fator temporal também contribui para o relaxamento da responsabilidade social coletiva, pois o ritmo de contágio não é semelhante ao tempo de um tremor de terra, por exemplo, por mais danoso que este seja.

O autor ainda faz considerações sobre outros desastres humanos na história, do ponto de vista do que os teria causado. Condições econômicas, interações intercontinentais cada vez mais acentuadas, condições ambientais e climáticas e, pra fechar, a contingência e o acaso.

O texto é fantástico e está para além da minha capacidade de síntese. Recomendo a leitura.

Francisco Sulo é servidor publico e escritor.

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