Dia Todo Dia das Mulheres

sábado, 9 de março de 2019 às 09:00

*Por Leonício S. Silva

A data é apenas uma referência, uma reverência. Mas o dia das mulheres é todo dia. Aliás, não só das mulheres, mas dos homens também. Dos pobres, dos negros, dos desempregados, dos deficientes, dos idosos, das crianças, enfim, dos frágeis e fragilizados. Todo dia é dia de quem vive.

Mas é para falar de mulher que aqui escrevo. Em virtude da data de hoje. Simbólica, importante, reverenciável.

Conforme o texto bíblico da criação, o Criador, sendo ele a própria sabedoria, percebeu que o mundo sem mulher não seria feliz, não teria beleza, não teria encanto e paixões, não teria aconchego, o desejo de voltar para casa, a vontade de rir e chorar, a vontade de ser melhor, mai belo, mais manso, mais valente, mais fino, mais gente. Sem a presença delas, esse mundo nem mundo seria. E os homens seriam apenas lobos, leões, dragões, sapos. Porque faltaria o beijo que os tornasse homens.

As mulheres, ah, as mulheres. São elas as mães, as esposas, as filhas, as amigas, as companheiras nas batalhas da vida. E quem sabe, até nas batalhas da morte. São elas que refletem a luz da beleza, do encanto, da doçura, da paz, do amor, de quase tudo na vida. São elas o brilho de tudo que brilha. A mulher é o toque de genialidade do Criador para tornar o mundo um lugar onde se deseje estar. Os adjetivos bons das mulheres não cabem nos dicionários da vida.

Mas que desgraça que pouco se reconhece e se valoriza isso.

O que temos tido são lutas seculares para que a mulher tenha seu espaço no mundo. Já esteve pior. Mas ainda não temos a colheita que seria justa.

Sociedade machista, a nossa!!! Mundo machista, o nosso!!! Pensamentos machistas, os nossos!!!

Colocar o homem no patamar superior das coisas que fazemos, enquanto que quase tudo que nós homens fazemos é em prol de querer e poder ser mais amado por uma mulher. E mesmo assim, ignora-se que elas merecem o mesmo espaço, ter a mesma força, a mesma voz, os mesmos ideais concretizados. Elas são tão dignas da igualdade, e mesmo assim tratadas sórdida inferioridade.

A sua fragilidade física dá a entender que podem ser maltratadas, judiadas, esquecidas… vitimizadas. Ah, quanta ignorância vil. O espaço das mulheres é em todos os lugares, em patamar de igualdade. É nos negócios, nos esportes, nas artes, na escolas, na política, nas aventuras da vida…. e no lar. Ah, o que seria do lar sem ela!!! Faltaria o doce e o encanto e o perfume e o fogo e o descanso e o sossego… Faltaria o amor.

A luta das mulheres não é de hoje. É secular. É ininterrupta. É todo dia. Mas poderia não ser nunca. Poderia não ser jamais. Não haveria necessidade de lutarem por espaço num espaço que já é delas. Num espaço que sem elas seria apenas um amontoado de mundo e de coisas. Não havia necessidade de terem que sofrer, que suar, que chorar, que gritar, que lutar, que morrer, para poder mostrar aos cegos e loucos e tolos que nós, homens, sim, somos o sexo frágil, somos os dependentes, os chorões, os que enlouquecem na solidão. Ah, como as coisas são controversas e enviesadas.

O machismo histórico, social, religioso, político, em todas as esferas humanas, constitui uma das maiores injustiças, uma das mais vis ignorâncias, uma das piores formas de violentar a existência feminina. Uma opressão a quem jamais deveria ser oprimida.

Tantos “homens” ferindo as mulheres! Machucando, violentando, matando! Fazendo-lhes marcas dolorosas na pele do corpo e da alma. Nem seria preciso existir lei. Mas já que existe, deveria ser preciso cumpri-la. E mais preciso ainda penalizar severamente os descumpridores. Os fatos recentes e de muito antes têm mostrado o quanto se tem ferido mulheres. Mas o ferimento não é só delas, não é só nelas. O ferimento, o sangramento, é numa sociedade machista, desigual, corrupta e injusta como a nossa. A crueldade contra as mulheres não é produto apenas de uma mente torpe, pobre e podre. É o produto de todo um conjunto e contexto social que não dá às mulheres o espaço merecido que é delas. O espaço para que façam política, para que tomem decisões, para que ocupem cargos relevantes, para que dirijam grandes instituições e grandes governos.

Cediço, é óbvio, que o cenário mudou, ao logo do tempo e das lutas, e que algum avanço se deu, que alguma conquista floriu. Já tivemos Presidenta. Temos Ministras, Desembargadoras, Procuradoras, Advogadas, Juízas, Deputadas, Senadoras, Empresárias… Temos mulheres guerreiras. Temos mulheres nos degraus de cima. Mas ainda é muito pouco. É preciso igualar a balança do poder, a balança das batalhas por um mundo mais igual. É preciso amar mais e cuidar mais das mulheres dos degraus de baixo. E arrancá-las dos poços lamacentos do sofrimento físico, moral e humano. É preciso tirá-las do mundo nefando em que choram suas lágrimas contidas e gritam suas dores insuportáveis.

É preciso dar-lhes a dignidade, o bem-estar, o valor, o amor, o poder, a felicidade… Enfim, é preciso dar-lhes o que nunca nunca nunca deveria ter-lhes sido tirado. Porque não se deve tirar delas o que sem elas sequer teria graça: o mundo.

Leonício S. Silva

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