O reflexo da pandemia nas eleições de 2020

terça-feira, 8 de setembro de 2020 às 14:47
Paulo Mello. Foto: Reprodução.

*Por Paulo Mello

A cada dia que as eleições municipais de 2020 se aproximam, mais dúvidas emergem. Há um constante questionamento de como tal ato se ajustará com a inesperada pandemia de COVID-19, que assola o mundo.

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O indispensável isolamento social faz com que eleitores e futuros candidatos mantenham-se fisicamente afastados, e assim, os candidatos terão a oportunidade de reinventar-se e sair da monótona campanha política que já estão acostumados a praticar.

Não é novidade que a forma com que a política é feita na maioria dos municípios do Brasil, é primitiva. Contudo, a legislação eleitoral vem passando por constante desenvolvendo, inibindo assim, cada vez mais, as fraudes eleitorais. Todavia, a “criatividade” e astúcia de alguns operadores tornam-se surpreendentes, pois usam de artifícios da ilicitude para render-lhes conveniências.

Podemos ver que essa campanha deverá ser feita como jamais vista antes, com um direcionamento maior na parte digital. Essa alternativa é uma maneira de amenizar a propagação da COVID-19, que não tem prazo de findar-se. Tente idealizar uma campanha sem comícios e sem as tradicionais caminhadas em que uma multidão acompanha seu candidato. Isso poderá ser a realidade esse ano.

Por outro lado, a possibilidade de inovar é vasta, como comícios virtuais e tantas outras formas que a tecnologia e a legislação eleitoral permitem. Uma das possibilidades é o impulsionamento de postagens nas redes sociais ainda na pré-campanha, podendo alcançar muito mais pessoas. Outros fazem uso da velha maneira ilícita de compra de votos. Dessa forma, a única possibilidade que eles veem de usar as mídias sociais, é na tentativa de agredir a imagem do adversário com as famosas fake news.

A desinformação é muito perigosa, e com a diminuição do período de campanha, lamentavelmente um ataque como esse pode funcionar, pois, até que se prove o contrário do fato, o estrago já estará feito. E como já é dito: “Enquanto a mentira dá uma volta ao mundo, a verdade nem calçou as botas”. Desse modo, é dever do eleitor verificar as informações que recebe, para que não compartilhe uma notícia falsa e ajude a ferir o processo eleitoral.

Assim, mesmo com tantas possíveis mudanças, percebe-se que o próximo período eleitoral ainda é um labirinto. Alguns procuram passar por ele da forma correta, tentando encontrar o caminho certo. Mas outros procuram atalhos. A única certeza dessa eleição é que o abuso do poder econômico e político são resistentes à COVID-19. Com isso, essas velhas práticas se tornam o verdadeiro vírus infeccioso das eleições de 2020. É preciso tomar cuidado, às vezes a máscara que o candidato estará usando não é apenas para se proteger, mas para não ser reconhecido.

Paulo Melo é consultor político com capacitação em comunicação política e legislação eleitoral.

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