Um retrato das discriminações, intolerâncias e diferenças salariais

sexta-feira, 20 de novembro de 2020 às 15:14
Mesmo velado, preconceito no Brasil está longe de acabar. Foto: Seciju.

Neste ano, o Dia da Consciência Negra é reforçado com mais um movimento em defesa dos negros que ecoou no mundo todo desde os primeiros meses de 2020: “Vidas Negras Importam”. O racismo se instalou no Brasil de base escravocrata e, mesmo transcorridos 132 anos da abolição da escravatura, pessoas negras continuam “escravas” de preconceitos, racismos e de exclusão social impostos desde a colonização do Brasil.

Trata-se de uma dívida histórica e com números alarmantes quando se refere a diferenças entre brancos e negros no acesso ao mercado de trabalho, nas universidades federais, diferença salarial, acesso à política e falta de oportunidades. Segundo dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a população ocupada de cor ou raça branca ganhava 69,3% mais do que a preta ou parda. Diante desses abismos, o Dia da Consciência Negra se projetou a partir do resgate das raízes culturais e da luta por inclusão social devida aos negros, embora tardia.

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O importante agora é fomentar ações estratégicas e políticas públicas de valorização e promoção da igualdade racial, além de promover debates e inclusão social.

Nayara Brandão, chefe da Gerência de Diversidade e Inclusão Social do Tocantins, lembra que mesmo após 10 anos do Estatuto da Igualdade Racial destinado a garantir à população negra a efetivação da igualdade de oportunidades e a defesa dos direitos étnicos, a luta é diária. “O enfrentamento à discriminação e à intolerância étnica deve ser diário e, nesse sentido, atuamos com palestras de conscientização contra o racismo e em prol da igualdade social e da inclusão do negro na sociedade. Como disse Nelson Mandela, ‘não é uma questão de raça; é uma questão de ideias’”, enfatizou.

Dia Nacional da Consciência Negra

A vice-presidente da Comissão da Igualdade Racial da OAB/TO e ativista do movimento negro desde os 12 anos de idade, Edilma Barros, fala da ausência da democracia racial no Brasil. “Ninguém nasce racista. Ninguém abre os olhos e é um suprematista branco. O preconceito é formado, sendo assim, é possível ‘desformar’, porque o preconceito racial advém de um aprendizado, de uma reprodução, não sendo da natureza humana”, ressalta.

Para ela, o racismo não é só um crime, é uma ofensa ética. Muitas pessoas reproduzem que, pela cor, o negro não deveria ocupar espaços que podem pertencer a qualquer pessoa qualificada intelectualmente para ocupá-lo, independentemente de qualquer estigma.

“O preconceito está na fala, nos gestos, nas estruturas basilares da sociedade, sendo estrutural e cultural no Brasil e, mesmo após 30 da criminalização legal do racismo, a luta dos negros por espaços na sociedade é diária”, lamenta.

População negra no Tocantins

De acordo com dados do IBGE, 70% da população do Tocantins é negra – dividida entre pretos ou pardos, sendo que o estado têm 36 comunidades quilombolas reconhecidas pela Fundação Cultural Palmares.

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